Considerada uma das 5 mehores do mundo. A culinária peruana é muito diversa. Dependendo do bolso, o brasileiro pode provar uma diversidade de pratos. Na região mais fria o melhor são os caldos ou Sopas: Chairo, Timpu de cabeça de Cordeiro. É muito comum para enganar o estomago comer um “Choclo com Queso” = Milho com Queixo. O Milho é do Vale de Urubamba, este grau difere daqueles que já conhecemos no Brasil, por conta de ser um grau muito grande, e com ele se preparam muitos pratos saborosos que vale a pena provar. Se quiserem comer peixes, o melhor é deixar para quando cheguem ao litoral. Provem o Ceviche ou Cebiche: de peixe ou com mariscos. O Cebiche no Peru tem fama internacional pelos seus temperos e forma muito especial de preparar. comam a Jalea de Mariscos, a Corvina a lo macho, Choritos a la Chalaca (mexilhoes), tiraditos…etc..etc. A melhor cerveja é a CUZQUEÑA, é muito boa por conta da àgua vinda dos Andes. Tomem Chicha Morada e o infaltável refrigerante: INKA KOLA. Caso não gostem procurem o substituto da Coca Cola que tem o nome de KOLA REAL: mais barata, mais quantidade é mais saborosa. Tem saudádes do Brasil?: Nas principais cidades ha restaurantes gauchos (argentinos) podem ir e matar saudádes e devorar carne. Mas como a oferta é variada, não faz sentido não provar a Ocopa Arequipeña, a Papa a la Huancaina, o Ají de Gallina ou o Rocoto Relleno. Aqueles que acham que no Brasil, pela extensão de nosso território já vimos de tudo. Frequentem obrigatoriamente os mercados centrais, principalmente o de Cuzco e o de Puerto Maldonado. Frutas obrigatórias a comer são: Capuli, Pacae, Lucuma e Tuna. A 20 km de Cuzco devem comer obrigatoriamente no distrito de Tipón o famoso CUY. Também devem comer os pratos elaborados com a Quinua e a Kiwuicha. Frequentem o famoso CHIFA: em todas as cidades sempre tem um, isto é um espaço da fusão da comida oriental e a peruana, Única no continente… nem em NY se come a comida oriental como no Peru. Posso assegurar. Bom a oferta é impresionante. claro…dependendo do bolso terão melhores qualidades culinarias. Mas geralmente em todo canto sempre encontrarão -ainda que não necessáriamente restaurantes lindos-: comida muito saborosa. Querem tomar cafe da manhã, sugiro um Caldo de Galinha: de primeira ou frequentem o mercado principal. e aí terão sucos dos mais diversos. Em geral os preços são muito bons, a qualidade é de primeira e quem não gostar da comida peruana, que jogue a primeira lingua…!
Recomendações para viajar
4 02 2010
1. Durante a viagem evite comer em grande quantidade. Pode se apresentar uma bela oportunidade para baixar de peso. Na altitude os alimentos são digeridos lentamente.
2. Há postos de gasolina ou dissel por todo o percurso. Alguns deles ficam dentro de uma casa como em Iãpari. Mas parece que a gasolina não é tão ruim não.
3. O custo da gasolina foi de 1,500 reais. Desde Brasilia até Lima (6,500 kilometros) com uma camioneta Ranger 4×2 ÓTIMO. boa parte dos postos de gasolina no percurso não aceitam cartão de crédito. Troquem dinheiro na fronteira (iñapari) do contrário perderam na troca quando se internarem no país.
4. Comprem roupa de frio em Porto Maldonado que é mais barato.
5. Se alguem não gostar de picante é só dizer: sin Ají por favor. Não esqueçan do: por favor
6. É importante ter um bom trato com os policiais, os quais são muito amigaveis. A diferença de outros países latinoamericanos, os peruanos são muito atenciosos. Evitem ser grosseiros ou se mostrar arrogantes…
7. há crianças que pedem “propina” = gorlheta para que le tirem uma foto. Isto é racional. Se nossas modelos cobram por que elas não..?
8. Tenham cuidado com suas coisas… sem dúvida o Peru é menos violento que Recife ou Rio de Janeiro. Como em todas as areas turísticas a prudência sempre é a melhor amiga.
9. Si procuram um bom serviço terão que pagar… se procuram um mais barato o terão… mais não se quiexem pois a oferta é ampla para todos os bolsos… Possivelmente por poupar umas quantas moedas o negocio sai ruim. “dime o que procuras frequentar e todos saberão quanto tens de grana”.
10. É importante ir com a mente aberta, pois a cultura peruana é muito riquissima… e os peruanos sempre procuram agradar o extrangeiro. Não abusar é a melhor recomendação. Visitem pelo menos algum museu.
11. Procurem sempre cumprir com as recomendações fitosanitárias do país pois podem ter problemas com a polícia caso pretendam introduzir alimentos em estado natrual.
12. Quando fazerem uma reserva de hotel tentem cumprir com a data de chegada, do contrário lhes pode ser cobrado por esse dia. Tenham em conta que muita gente faz reserva. Caso les encaminhem um aviso de saída, não se sorprendam, pois a reserva é a reserva. E em qualquer parte do mundo esta é respeitada.
13. Procurem aprender algo de espanhol, pois os atendentes (garzons e taxis geralmente), não tem a obrigação de saber o português, muito menos devemos perder a paciência, pois ninguem pode adivinhar o que nós estamos pedindo. Busquem um interprete se for o caso.
14. Antes de consumir algum serviço perguntem direito, aconteceu que perguntamos sobre si no contrato de serviço de hotel tinham cafe da mañana= “desayuno”. Eles dizeram que sim. O que é obvio aqui no Brasil, no Perú deve-se perguntar si está incluido no pagamento o DESAYUNO. Do contrário terão que pagar o serviço.
15. Evitem manifestar seus preconceitos em público. Tanto no Brasil como no Peru existem problemas sociais como pobreza ou desigualdade. Mais ainda na região do sul do Peru que é a mais pobre. É comum falar de forma pejorativa sobre algumas questões quando não se tem conhecimento a fundo das coisas. Isto nos pode fazer parecer arrogantes e além disso nos mostrar como ignorantes. É permitido comparar mas sem a pretenção de inferiorizar o outro… JEITINHO que é comum de quem vem de algum estrato social superior.
16. No Peru, não confiem nos sinais de ultrapassagem, já que no Peru possuim significados diferentes. Eles não estão errados, simplesmente são costumes diferentes.
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Lima é uma cidade totalmente diferente do resto do Peru que conhecemos
24 01 2010Desde que chegamos a Lima, no dia 17 de janeiro, já à noite, fomos percebendo o quanto a Capital peruana é diferente das demais cidades. Por seu grau de urbanidade, pelas pessoas que vivem lá e também por ser o grande centro econômico do país. Passamos por algumas das maiores cidades peruanas como Cusco, Arequipa, Puno, mas, Lima é diferente de todas elas.
A Capital limenha tem aproximadamente 9 milhões de habitantes, pouco menor que a capital paulistana que tem mais de 11 milhões de habitantes, e é um verdadeiro formigueiro humano. Como não saímos do distrito (bairro) de Miraflores, não podemos falar do restante da cidade, mas uma coisa é certa, com o trânsito caótico de uma grande cidade. Melhor andar de taxi.
No estacionamento onde deixamos os carros nos quatro dias em que ficamos pela cidade, conhecemos uma brasileira que mora há dez anos no Peru. O nome dela é Ariane e o marido trabalha na empreiteira Andrade Gutierrez, umas das empresas brasileiras que fazem parte do consórcio de construção da Rodovia Interoceânica. Ariane nos deu dicas de lugar para conhecer.
Miraflores tem um litoral bem interessante, embora pouco usável pra banho. O fundo de pedras é bastante dolorido aos pés e o mar afunda muito rápido sendo desaconselhável ao banho para desavisados turistas. Os cidadões locais e surfistas são os maiores freqüentadores, mas disseram que os limenhos costumam viajar cerca de 15 a 20 km para aproveitar as praias mais ao sul da capital. Em Miraflores, surfistas de várias partes do mundo vão para praticar seu esporte predileto, e num final de tarde a orla fica lotada deles. Um dos espetáculos interessantes da praia, é o barulho que as ondas fazem ao baterem nas pedras e depois o refluxo dessas mesmas ondas pelas pedras rolando .
Ainda não havia sido mencionado por nós da expedição o assunto terremoto, mas os cismos estão presentes em várias partes do Peru. Não passamos pela experiência de ver a terra tremer, mas vimos em vários lugares os estragos causados pelos últimos terremotos no peruanos, e como o povo convive com eles. Pensando na situação terremoto dá pra tentar explicar porque muitas cidades tem aparência de estar inacabadas ou ainda em construção. As casas sempre tem ferros de vigas apontando para cima dando a entender que mais um piso está planejado, a maioria é tijolos a vista, sem reboco ou pintura dando um aspecto de estar em obras. Vimos isso em Cusco, Arequipa, e boa parte do litoral peruano.
Em Arequipa, na Praça de Armas, tombada pelo Patrimônio Histórico Mundial , uma enorme placa homenageia as pessoas que ajudaram na reconstrução da cidade depois do terromoto de 2001, que destruiu boa parte da cidade inclusive e as torres da catedral, já restauradas. Em 2007 um novo terremoto de 8 graus na escala Richter abalou o litoral peruano próximo a Lima, destruindo algumas cidades litorâneas e matando cerca de 500 pessoas. As cidades de Ica, Pisco, San Vicente de Cañete e Chincha Alta foram as mais atingidas. Passamos por todas elas a caminho de Lima e vimos os destroços de muitas casas. Em todos os lugares públicos que andamos nas cidades atingidas por terromotos ou suscetíveis a eles, placas, cartazes e indicações no chão mostram os locais seguros, as saídas de emergência e a capacidade de concentração de pessoas em cada lugar.
Praticamente a Expedição Interoceanica se encerrou em Lima, embora parte do grupo ainda regressaria pelos pontos principais da viagem de vinda, para terminar entrevistas e colher novas imagens. Outra parte do grupo optou por retornar pela Bolívia, uma oportunidade de conhecer La Paz e outros lugares.
O Diário da Expedição Interoceânica ficará com a última postagem de Lima.
Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/190110Lima
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Domingão com pó, sujeira e uma chegada em Lima de tirar a paciência
22 01 2010O domingão, dia 17 de janeiro, iniciou com o barulho de barcos pesqueiros partindo do lugar onde estávamos acampados, na Reserva Ecológica de Paracas. O lugar é reduto de pescadores que seguem para alto em mar em busca de peixes. Num rápido passeio pelo lugar foi possível ver inúmeros pássaros, de pelicanos a gaivotas em revoadas que se assemelhavam a cenas do filme “os Pássaros”, de Alfred Hichtcok.
Dizem que a reserva, além de abrigar aves, também é reduto de proteção de leões marinhos, e assim espero que seja, embora na caminhada pela praia tenha visto só leões marinhos mortos.
Os expedicionários tomaram um café rápido e desmontaram suas barracas, pois como havíamos acampado dentro de um dos restaurantes, precisávamos desocupar o espaço para que eles arrumassem as coisas e limpassem o lugar esperando os turistas que viriam para o almoço do domingo.
A idéia era seguir ainda pela manhã para a cidade de Lima que ficava a uns 250 quilômetros mais ao norte de onde estávamos. Mas optamos por passar a manhã na reserva, conhecendo-a melhor, já que havíamos chegado na noite do dia anterior sem chance de ver suas belezas. O lugar é bonito, mas claro que deserto com muita areia, solo seco e água mesmo, só a do mar. E aproveitando-se das enormes dunas de areia e pedra do lugar (são dunas bastante duras) algumas empresas exploram o turismo com passeios, levando turistas a conhecer suas belezas. O preço meio salgado de 70 dólares por pessoa ,é feito num buggy enorme especialmente construída para este tipo de passeio. Há também buggys menores pra duas pessoas mas o preço não varia muito, sem contar que o mais sensato é contratar o serviço no buggy grande que tem motorista e um guia que sabe o caminho.
Almoçamos um peixe saboroso no restaurante onde dormimos, uma espécie de gentileza nossa, consumir no bar, já que fomos muito bem recebidos pelo dono do lugar que nos acolheu e que abriu seu espaço sem cobrar nada. Além disso, todos os trabalhadores do lugar foram simpáticos e gentis, mostrando que o povo peruano gosta dos turistas, embora na maioria dos lugares nem sempre fomos bem recebidos.
Depois do almoço, mas antes de seguir rumo a Lima, conseguimos uma cortesia, já que um dos exploradores de buggy da região passeava com a família e não se importou em mostrar os diversos pontos de visitação das dunas, sem nos cobrar nada, até porque todos queriam ir em seus próprios carros. Quem tem carro 4×4 não perde uma chance de andar em terrenos arenosos como àquele. O passeio pelas dunas deixa Jericoacoara, no Ceará ou as dunas das praias de Natal, no chinelo.
Com tanta areia e pó levantando, não é preciso dizer qual o estado em que se encontravam os expedicionários depois do passeio pela areia e que rendeu fotos maravilhosas dos penhascos, das aves, dos leões marinhos vivos ( mesmo que a distância) e ainda uma das atrações especiais do local as linhas do candelabro, parte das linhas desenhadas no deserto. Vimos às tais linhas bem de perto.
Mais sujos do que antes, com dois dias de banho em atraso e uma cama extra de pó e areia dos pés à cabeça ( quase à milanesa) pegamos a Panamericana Sur rumo a Lima. E dá-le pedágio. Pagamos vários com preços variados, de 7,50 e 5 soles.
Talvez ninguém tivesse idéia do que nos esperava, até chegar a parte duplicada da rodovia e já a uns 100 quilômetros de Lima. Pois bem, final de tarde de um domingão, e……um movimento monstro na rodovia. Quase como a volta dos paulistanos do litoral ao final de um feriado. Paciência de Jó.
Depois de inúmeras voltas até achar as ruas que deveríamos pegar, chegamos a Miraflores, que é um dos bairros mais chiques de Lima ( eles, os limenhos, consideram Miraflores uma municipalidade com prefeito e tudo), mas pra ficar mais fácil de entender é melhor explicar que é um bairro.
Levamos algum tempo para achar um hotel, era domingo e a maioria não tinha acomodações disponíveis, então estacionamos os carros e fomos dar voltar até achar hotel. Encontramos um bem próximo a praça de Miraflores, que é o ponto de encontro para tudo. Em Lima, os preços são bem mais salgados, mas encontramos o Tinkus, um hotel pequeno com diárias entre 30 e 40 dólares.
Finalmente poderíamos tomar banho e dormir numa boa cama. O banho foi de escovão.
Fotos no : http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/170110Paracas?feat=directlink
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Dois dias sem banho e um vôo sobre Nazca
19 01 2010Dois dias sem banho e um vôo sobre Nazca
Repetimos neste sábado, dia 16 de janeiro de 2010, o acampamento a beira-mar, só que desta vez a dormida foi numa Reserva Nacional de Paracas, próximo a cidade de Paracas, a uns 250 quilômetros mais a frente de onde estávamos na noite anterior, e cerca de 130 quilômetros da cidade de Nazca. Não precisa ser dito que pelo segundo dia consecutivo o banho foi esquecido.
Partimos de manhã de Las Lomas, depois de tomar café da manhã olhando o mar e uma porção de pelicanos que se amontoavam em algumas pedras a poucos metros da praia. O pelicano é grande, desengonçando, e com um vôo bem semelhante ao do Cesna que pegamos em Nasca para avistar as famosas linhas desenhadas há séculos no deserto peruano.
Criados pelo povo de Nasca entre os séculos III a.C e VIII, estes geóglifos representam centenas de figuras, incluindo imagens estilizadas de animais como macacos, beija-flores ou lagartos. O curioso é que, de tão extensas que são as figuras, elas não são perceptíveis do solo, mas apenas por vistas aéreas, dando margens a cogitação das razões pelas quais foram feitas e dos efeitos que puderam causar, já que aquela civilização não possuía aeroplanos.
Nosso objetivo era chegar a Nasca para fazer o vôo de observação, mas antes disso tínhamos um compromisso que fazia parte da expedição, que era justamente fazer imagens de mais um porto da Rodovia Interoceânica, em San Juan.
O porto é basicamente um porto pesqueiro, mas existe uma grande empresa chinesa explorando minérios na mesma região e com um porto particular para as exportações dos mesmos para Ásia. Não tivemos autorização para entrar no porto da empresa estrangeira, mas conseguimos conversar com o administrador do porto pesqueiro, que falou das suas expectativas com a estrada e a oportunidade de novos negócios.
Depois do compromisso com a “carretera”, seguimos rumo a Nazca. A cidade é até grande, já que se localiza no meio do deserto, tem um aeroporto as margens da rodovia e que é explorado por diversas empresas que trabalham com pequenos aviões, a maioria do modelo Cesna e onde muitos estrangeiros deixam seus dólares para conhecer as tais linhas desenhadas no deserto. Apesar das informações que tínhamos sobre a cidade não ter nada e ser um pouco perigosa em função de assaltos, Nazca não pareceu ser tão faroeste, embora numa volta rápida pelo centro da cidade tenhamos encontrado diversas lojas abertas mas com grades nas portas para fazer atendimento. No meio do deserto, uma coisa é inegável, o calor é insuportável.
Almoçamos em um restaurante no centro da cidade antes de seguir até o aeroporto para fazer o vôo de observação.
Nas informações contraditórias, nos disseram que apenas era possível fazer um vôo fechando um pacote com as empresas que atuam fora do aeroporto. No fim descobrimos que lá dentro mesmo do aeroporto era possível. A questão toda é que devem ser grupos fechados de no mínimo cinco pessoas. Cada um pagou 45 dólares pelo vôo, e como o pagamento foi no cartão de crédito ainda mais 6% de taxa do cartão, o que deu 48 dólares. Nas despesas ainda faltava a taxa de embarque do aeroporto que era de 20 soles por pessoa. Do grupo de expedicionários, 10 se aventuraram no avião, os outros cinco (Leo, Carlos, Leane, Isadora e Peter) optaram por seguir até Paracas para adiantar o acampamento do dia, que novamente seria a beira-mar, numa reserva ecológica. Paracas ficava a uns 150 quilômetros mais à frente rumo a Lima.
Para os expedicionários de estômago forte, o passeio do Cesna foi divertido, embora a maioria tenha dito que não conseguir ver direito todos os desenhos mostrados pelo piloto, a cada inclinação de asa que ele fazia. No meu caso (Claudia) e de mais uma expedicionária (Synthia), o que mais vimos no vôo de pouco mais de 30 minutos, foi o saquinho de enjôo socado no meio da cara para aliviar o almoço recém mastigado. E nem dava pra pedir pra descer. Um verdadeiro filme de horror. O calor dentro do pequeno avião contribui para o bem mal-estar, mas foram principalmente as manobras e solavancos do avião que fizeram o estrago maior. Em suma, foi a vomitada mais cara de nossas vidas.
Em terra novamente, todos os voadores com estômago e os que esvaziaram no meio do caminho, seguiram viagem até Paracas. Chegamos à tal Reserva Ecológica à noite e sedentos por um banho. Infelizmente, depois de montar barracas dentro das acomodações de um restaurante, claro que com autorização do proprietário, descobrimos que não havia água para o sonhado banho. Resignados, alguns dormiram sem banho pelo segundo dia consecutivo. As mulheres, sempre mais atentas às questões de higiene ainda conseguiram negociar com o rapaz que cuidava do lugar, uma garrafinha de água de 250ml para se lavar. Uma missão impossível, mas pode ter certeza que algumas conseguiram se lavar e ainda deixar uma aguinha de reserva para qualquer e emergência. Acampar sem água é o caos. Mas foi divertido embora não tenha sido muito cheiroso.
A reserva tem uma meia de dúzia de bares que funcionam durante o dia, localizados numa das pontas da península. Dali também saem os barcos de pesca todos os dias. Lugar árido e sem água, a não ser a do mar, mas bonito. Belezas que só pudemos apreciar no dia seguinte, ao amanhecer, já que havíamos chegado com noite fechada ao local.
Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/160110Nasca?feat=directlink
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Um acampamento a beira-mar no Oceano Pacífico
19 01 2010Depois do primeiro banho de mar no Pacífico, com direto e a por de sol e tudo, dormimos em Mollendo e no dia seguinte saímos do balneário para chegar a Nazca, a uns 450 km, onde a grande a atração do nosso grupo era conhecer as famosas linhas esculpidas na terra. Elas formam desenhos gigantescos, mas os mesmo só são visíveis do ar e alguns deles do mar.
Ainda precisávamos nos encontrar com parte do grupo de expedicionários formado por Carlos, Leane, Isadora, Daniel e Lúcio num carro e Milton, Jeanette e Synthia em outro, que haviam seguido de Arequipa para o porto de Illo, mais ao Sul do Peru. Para o porto de Matarani, seguiram Leo, Kiko, Peter, Carla e Patrick, além de Baron e Cláudia. O ponto de encontro dos expedicionários foi em Camaná, outro balneário a beira-mar pouco mais a frente em direção ao norte de Mollendo e a aproximadamente 160 km.
Aproveitamos o dia quente de sol para uma parada em Camaná, com direito a almoço variado de frutos do mar, cheviche, arroz com frutos do mar, peixe à milanesa (tudo com papas fritas e arroz) e ainda um prato especial da casa que misturava cheviche, polvo, marisco e lagostim. Os que chegaram antes aproveitaram ainda para um banho de mar, com água muito gelada e ondas fortes.
Depois do almoço e um pouco de discussão sobre a situação do Peru, seguimos viagem em direção a Nasca. Novamente no meio do deserto e costeando o mar. A paisagem em toda essa região do Peru é árida, mas com alternância de cores. Muitas pedras, areia, montanhas, quase nenhum verde, embora ao longo do caminho tenhamos encontrado, próximos às cidades litorâneas algumas grandes plantações de arroz, frutas e a famosa batata.
O deserto ocupa uma faixa ao longo da costa norte do Peru junto ao Pacífico, logo ao sul da cidade de Piura. Ele se estende desde a costa cerca de 100 km para o interior até os cumes secundários do Andes. A área total do deserto de Sechura é 188.735 km².
O dia foi chegando ao fim e ainda estávamos na estrada, o projeto era acampar próximo ao Porto de San Juan, um outro porto pesqueiro e de exportação de minério de ferro, cuja estrada integra o trecho 1 da Rodovia Interoceância. Passamos pelo balneário de Yauca, na costa litorânea e pensamos em acampar lá enquanto ainda restava um pouco de luz do dia para montar as barracas, mas apesar de estarmos em pleno deserto peruano, onde chove muito pouco durante todo o ano, havia uma extensa maresia e umidade do ar, que quase abortou nossa missão. Depois de pegar informações com guardas rodoviários, buscamos um lugar pra ficar em Las Lomas,
Já estava escuro e Las Lomas acabou nos servindo abrigo, buscamos uma pousada, acho que a única da cidade e a dona queria cerca 100 soles por cada quarto, sendo que não havia acomodações para todos. Também na hora fomos surpreendidos por um apagão de energia na pequena cidade. Às escuras tentamos negociar com senhora da hospedaria, que não foi muito flexível, então a decisão acertada foi acampar a beira-mar.
Las Lomas é um balneário em forma de uma pequena península, então em ambos os lados da cidade havia praias, optamos por um lugar já quase na saída da cidade, onde outros campistas costumam ficar à beira-mar. Apesar do céu estralado, não tínhamos como avaliar se o lugar na areia era seguro, então, como numa espécie de milagre achamos um local todo cimentado, uma espécie de mirador nos salvou. Tinha espaço seguro para barracas e carros. Foi onde nos instalamos.
Depois de armada as barracas o próximo passo era escolher o menu da janta, já que todos estavam esfomeados. Em camping a praticidade predomina então a opção foi um arroz com lingüiça. Com um dia cansativo de estrada ninguém estava a fim de muito papo, então ajeitamos o que era possível ajeitar no carro, para que não ficassem dando “sopa” aos amigos do alheio e fomos dormir. A maioria se contentou com o chamado banho de gato, feito com lencinhos umidecidos. Pros mais chiques chamamos isso de banho à francesa. Au revoir!
Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/150110LasLomas?feat=directlink
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Arequipa, Matarani e mais deserto
18 01 2010Arequipa é uma cidade cheia de surpresas. Logo na chegada, e depois de dias percorrendo pequenas cidades, percebemos que o trânsito era intenso e desorganizado, havia avenidas grandes que desembocavam em pequenas ruelas, deixando tudo num caos. Muitos taxis na cidade deixam o trânsito mais irritante ainda. São pequenos carros, na maioria de cor amarela, modelo Tico, da Daewoo. Mas é melhor andar neles do que arriscar pegar o carro.
Também, pela primeira vez desde que estamos no Peru, percebemos uma maior miscigenação de etnias, fugindo um pouco peruano típico com traços indígenas, as roupas típicas também quase desaparecem das ruas. Estatura mais alta, cor mais clara, o ariquipenhos é um pouco mais cosmopolita. A cidade é rica, tem inúmeros bancos financeiros espalhados por suas ruas centrais e também várias paneterias (padarias). Dizem que os doces de Arequipa são famosos, mas não tivemos tempo de experimentá-los.
Fizemos apenas um passeio rápido pela Plaza de Armas. Notem que na maioria das cidades peruanas existe uma praça de armas. E é neste mesmo local que está um dos pontos turísticos de Arequipa. A praça é bem semelhante à de Cusco.
Há também um lindo prédio que foi transformado em centro comercial, mas que foi construído em 1848 e abrigava uma escola jesuíta. A igreja ao lado do centro comercial também era de encher os olhos. Também fomos até a catedral da cidade.
Como tínhamos um compromisso marcado, uma entrevista às 14h, no porto em Matarani, saímos em seguida e pegamos o rumo do litoral. Deserto, foi tudo que vimos da paisagem na descida até Matarani, que ficava a pouco mais 80 quilômetros de Arequipa. Até ali, já tínhamos percebido o quanto a paisagem era árida, mas como havia muitas montanhas e rochas, não estávamos nos sentindo no deserto. Essa sensação só apareceu logo depois da saída de Arequipa, onde víamos de lado a lado apenas areia. O Sol escaldante aumentava a sensação, já que adiante, no horizonte, a distorção das imagens pelas ondas de calor que levantavam do asfalto davam a impressão que víamos a água. Mas água por ali era artigo de luxo, só engarrafada.
Por mais desértico que seja o local, em alguns assentamentos de colonos, encontramos casas, e plantações. Isso mesmo, plantações irrigadas, nos fazendo crer que, se existem pessoas dispostas a morar num lugar tão seco e sem chuva, e que possam contar com a ajuda do governo para arrumar água, tudo é possível.
A estrada tem suas belezas sim, e mesmo o deserto é atraente, já que as distâncias são curtas entre a cidade de Arequipa e o Oceano Pacífico. Já tínhamos notado em vários lugares, que o lixo é um grande problema. Talvez por não saberem o que fazer com ele, ou de não disporem de um sistema de tratamento eficiente do lixo, a impressão que tivemos é de que todo o lixo das cidades vai parar às margens da estrada. Uma pena em tempos que se discute tanto às questões ecológicas.
Já quase chegando a Matarani e depois de cruzarmos as planícies desérticas, iniciamos um trecho de descida muito forte, cheio de curvas, e novamente montanhas e mais montanhas secas, com imensas ranhuras e falhas geológicas. Tudo seco. A uns 15 quilômetros de Matarani, vimos pela primeira vez o Oceano Pacífico. Foi uma alegria ver água depois de tanto deserto. Mas não pensem que a paisagem mudou.
Pelo rádio do carro, e apesar da distância, ouvimos parte do grupo que saíra cedo de Arequipa rumo a Ilo, ter a mesma sensação de êxtase. Nada foi combinado, mas o grupo de Ilo, que percorreu uma distância de mais de 300 quilômetros até lá, também chegou ao Pacífico no mesmo instante.
Fomos direto ao local da entrevista, que era no porto. O porto, aliás, é uma concessão privada. De lá, são exportados para diversos lugares, principalmente minérios como ferro e cobre, além de grãos. Matarani é uma pequena vila de pescadores e a grandiosidade do porto não faz da cidade um lugar melhor, já que todos ali estão de passagem. Mas o porto é moderno, limpo e cheio de regras e segundo seu administrador, eles estão preparados para aumentar sua capacidade de armazenamento e transporte conforme for aumentando a demanda de produtos para serem exportados, principalmente se os brasileiros vierem a utilizar Matarani como porta de saída.
Como Matarani tinha pouco estrutura, optamos em ficar na cidade balneária de Mollendo, a uns 10 quilômetros de onde estávamos. Cidade de veraneio, preços de veraneio e bastante movimento. Chegamos ao final da tarde, já com o sol se pondo, e pela primeira vez, muitos dos expedicionários molharam seus pés e tomaram banho nas águas um pouco geladas do Pacífico. Dia histórico.
A praia não difere muito de todas as praias com extensa faixa de mar. Tem bastante areia, um pouco escura, e claro, alguma farofada. Felizes por ter chegado ao Pacífico, ainda fomos brindados com um belo por de sol. Coisa de cinema.
Fotos no : http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/140110ArequipaMatarani?feat=directlink
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Do verde e abundante vale para o deserto peruano
18 01 2010Talvez ninguém da expedição, exceto Carlos, um dos coordenadores do projeto da Expedição Interoceânica e que é peruano, sabia que passando os verdejantes, gelados e montanhosos caminhos da Carretera Sur, como é chamada a estrada Interoceânica, nas proximidades da Cordilheira dos Andes, passaríamos depois para o seco, quente e pesado deserto peruano.
Saímos de Puno, no dia 13 de janeiro de 2010, para chegar até a cidade de Arequipa, mais para sudoeste de onde estávamos, e já no caminho para o litoral peruano. Para isso, ainda tivemos que fazer parte do percurso até a cidade de Juliaca. Dali pegamos novamente a Interocêanica em direção a Arequipa.
Belíssimas paisagens nos esperavam no meio desse caminho, que começou a 3.824 metros de altitude e chegaria aos 2.300m de Arequipa. Mas antes disso, subiríamos novamente a cerca de 4.300 metros. A distância entre Juliaca e Arequipa era de pouco mais de 270 quilômetros, mas a quantidade de curvas e subida eleva a viagem para 5h ou 6h.
A primeira parte da viagem mostrava uma paisagem com montanhas, vales, criação de gado, ovelhas e lhamas. O verde das gramíneas, mesmo que queimado pelo frio seco e gelado da região predominavam. A estrada de ferro praticamente acompanhava rodovia, mas desta vez não vimos nenhum trem. Também os cachorros (perros) ovelheiros fazem parte da paisagem. Eles se postam na estrada como se guardassem o lugar, e , sentados ou deitados no acostamento da rodovia, ficam esperando.
Começamos a subir novamente a cordilheira e a cada paisagem a surpresa pelas belezas da região nos saltavam aos olhos. Bem no alto, num mirante onde comerciantes camponeses vendiam seus produtos ( mantas, casacos, tapetes, luvas, bonés, cachecóis) paramos para fotos, com uma bela laguna ao fundo. Vista deslumbrante e gelada.
A partir do mirante iniciamos parte da descida em direção a Arequipa, e de uma hora para outra, a paisagem mudou completamente. Dos campos verdes, com animais e plantações, nos deparamos com o deserto. Não imaginávamos, mas as pequenas pedras de granizo que caíram naquele momentos, seriam as últimas que veríamos nos próximos dias, ou pelo menos até o caminho de volta pra casa.
Nada e nada dos dois lados da rodovia. Terra seca e sem vida. Para se ter uma idéia de como a região é árida, o índice pluviométrico de Arequipa é de 3 cm de chuva por ano. Isso mesmo, 3 cm.
O solo é calcário é segundo os entendidos no assunto a região toda era mar. Numa das nossas paradas na estrada para usar o baño (banheiro), foi possível confirmar rapidamente a versão. Pois localizamos conchas de marisco no solo. Paramos num vilarejo bastante movimentado e rota de parada de ônibus e caminhões. Pedimos para usar o banheiro num posto policial e rapidamente o policial nos acompanhou até o fundo da comissária e disse que podíamos urinar ali mesmo nos fundo, a céu aberto. Foi o que a maioria fez, aliviando-se como podia.
Já quase na chegada a Arequipa, nos deparamos com um gigantesco assentamento no meio do deserto. O nome do lugar era Ciudad de Dios, ou seja Cidade de Deus. Bastante semelhante a nossa versão brasileira na baixada fluminense. Alguns sugeriram semelhança com a Faixa de Gaza conforme já vimos em diversas imagens de tevê . E na verdade não tava muito longe disso.
Arequipa é considerada a segunda maior cidade do Peru, tem mais de um 1 milhão de habitantes e seu centro é considerado patrimônio histórico mundial. Recebemos muitas recomendações para termos cuidados com nossos pertences, principalmente para não deixar o carro estacionado em qualquer lugar, devido aos assaltos e roubos freqüentes. Chegamos no início da noite e fomos direto ao centro para encontrar uma garagem e depois procurar hotel.
Arequipa não estava no nosso roteiro de viagens, era apenas como lugar de passagem, e por isso não tivemos tempo de apreciar as belezas dessa cidade maravilhosa. Partimos no dia seguinte por volta das 11h da manhã rumo a Matarani, embora parte da caravana da expedição tenha se dividido para ir a Ilo, um porto bem ao Sul do Peru, para cumprir a programação do Projeto da Interoceânica.
Arequipa é conhecida como Cidade Branca, por ter diversas construções antigas com pedras brancas ( de origem vulcânica). Localiza-se no sul do país, a 2300 metros de altitude é praticamente um oásis gigante num vale das montanhas da Cordilheira dos Andes, e no meio do deserto. Está rodeada de diversos picos, entre eles alguns pequenos vulcões já extintos.
A cidade foi fundada por espanhóis e sua catedral, a Igreja de La Compañia foi elevada a condição de basílica pelo Papa Pio XVII. Sua principal característica é a arquitetura colonial.
Foto no http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/130110PunoArequipa?feat=email#
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Uma visita rápida a cidade de Copacabana e ao Lago Titicaca na Bolívia
18 01 2010
Na manhã do dia 12 de janeiro de 2010, o objetivo da Expedição Interoceânica era apenas fazer um passeio turístico pelo Lago Titicaca, mas do lado boliviano, na cidade de Copacabana, uma das principais cidades turísticas do lago.
O Lago Titicaca para se ter uma idéia foi o berço da civilização Inca. Localizado a 3.811 metros acima do nível do mar, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, é o lago navegável mais alto do mundo e abriga 41 ilhas.
O lago tem 175 km de comprimento e 50 km de largura, com uma profundidade máxima de 300 metros. A fauna encontrada no lago é muito variada, mas o principal petisco são as trutas. No lado peruano do lago as principais ilhas são a Ilha de Taquile e Ilha de Amantani.
Como o lago também integra território boliviano é possível vista-lo também pela Bolívia, e neste país, as Ilha do Sol e a Ilha da Lua são as mais visitadas. A principal atração da região é a ilha flutuante de Uros, ocupada por descendentes dos Uros, considerada uma das mais antigas civilizações da América (se recomenda visitar a Ilha dos Uros pelo lado peruano de Puno, é muito melhor). A principal porta de entrada para o Lago Titicaca é a cidade peruana de Puno, já no lado boliviano, a porta de visitação do Lago é Copacabana.
De Yunguio pegamos um moto-taxi por 2,5 soles para chegar até a fronteira do Peru com a Bolívia, que fica a pouco mais de 3 km. Marinheiros de primeira viagem, alguns esqueceram os documentos necessários para passar pela aduana, então tiveram que fazer novamente o percurso até o hotel para buscá-los. De passaporte na mão e o papel da imigração, fizemos nossa saída do Peru e demos entrada no Bolívia. O funcionário que nos atendeu na aduana boliviana, disse que gostaria muito de aprender a falar português, e nos atendeu sorrindo, bem diferente dos peruanos que pareciam estar nos fazendo um tremendo esforço e um grande favor ao verificar passaportes e documentos.
Os bolivianos diferem muito pouco dos peruanos, por conta que fazem parte de um mesmo povo. o Aymara. o que chamou a atenção em Copacabana foram as barracas vendo choclo. Sacos gigantescos de choclo, que pra nós brasileiros nada mais é do que pipoca doce de canjica. Mas as pipocas são gigantescas. Eles também têm pipoca de macarrão, e caramelos. Depois de uma rápida vistoria pelas barracas de choclo e petiscos, fomos em direção ao lago, que fica numa descida da praça. Como ainda era cedo, não tínhamos muito a noção do movimento pela cidade.
No lado boliviano do Lago Titicaca saem barcos a todo instante para conhecer as diversas ilhas um passeio completo custa por pessoa algo em torno de 20 a 30 soles, ou quase o dobro disso em moeda boliviana, que vale quase a metade dos soles peruanos. Como o passeio era longo ( mais de cinco horas passando por cinco ilhas) optamos por uma versão light, só para conhecer as ilhas flutuantes, que eram as próximas. Contratamos um barco por 150 soles e fomos passear. O trajeto até a Ilha flutuante levou pouco mais de 20 minutos.
Chegamos a uma das ilhas flutuantes e um dos seus “moradores” já nos recebeu dizendo que para descer lá era necessário pagar 2 soles por pessoas. A tal ilha flutuante nos deixou em dúvida se aquele realmente era um lugar onde aquelas pessoas viviam ou uma armação pra turista por isso é melhor visitar pelo lado peruano, onde realmente moram os habitantes dos Uros. A Ilha era tinha um suporte de madeira e forrada com palhas de totora, uma espécie de junco, muito flutuante. A Ilha era quadrada, tinha aproximadamente 10m x 10m de extensão e abrigava uma família. A atração ali eram dois tanques de trutas onde os “moradores”, capturavam um peixe com a pequena rede e preparavam na hora uma truta frita com papas (batata frita), arroz e salada. Tudo por 20 bolivianos. Uma cerveja saiu por 10 soles bolivianos. Fizemos uma boquinha por ali mesmo, algumas fotos do tanque de trutas e voltamos para a margem do lago, em Copacabana.
Foi na chegada que tivemos dimensão do movimento da cidade, com enormes filas entre o cais, para os tais passeios de barco pelas ilhas. Achamos muitos brasileiros e argentinos por lá, mas também muito europeu. Predominam os mochileiros e principalmente os hippies Na descida do barco encontramos alguns carros estacionados na beira da areia, todos enfeitados com flores, a curiosidade nos levou a saber de um ritual boliviano muito comum em Copacabana. Uma benção para os felizes proprietários de carros novos ou não tão novos assim, mas recém comprados.
Em frente a igreja de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira dos bolivianos, e onde se encontra uma das imagens mais cultuadas da Virgem Maria, uma espécie de benzedeiras fazem uma defumação nos carros, como se eles tivessem sendo batizados. Os donos enfeitam com flores e outros penduricalhos e depois comemoram. Essa cerimônia ritual é realizada todos os sábados. Tivemos sorte.
No santuário de Nossa Senhora de Copacabana ficamos impressionados com a igreja e principalmente o altar esculpido com muito ouro em volta. Por isso, era proibido fazer fotos dentro da igreja.
Terminado nosso passeios por Copacabana e depois de um almoço regado a truta, voltamos para o Peru.
De volta á pacata cidade de Yunguio, pegamos os carros e seguimos a Puno, onde passaríamos a noite, para no dia seguinte seguir até Arequipa, aí sim, chegando mais próximo do litoral peruano. Puno é uma cidade grande, barulhenta e desorganizada no trânsito.
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De Cusco a Puno, mais a sudeste do Peru, a paisagem muda
15 01 2010No dia 11 de janeiro de 2010, segunda-feira, partimos da cidade de Cusco, onde ficamos durante quatro dias, para ir em direção a Puno, mais a sudeste do Peru. A cidade fica às margens do famoso Lago Titicaca, o lago mais alto do mundo, que fica a cerca de 3.800m de altitude a que tem uma extensão de mais de 8.300 quilômetros quadrados.
Saímos de Cusco por volta de 8h da manhã e teríamos pela frente aproximadamente 460 quilômetros. Este trecho da estrada não faz parte da Rodovia Interoceânica, pela qual estamos percorrendo o Peru e fazendo um documentário, contudo, além da curiosidade de conhecer o Lago Titicaca, ainda seríamos obrigados, de qualquer forma, a descer até Juliaca, onde um outro trecho da Interocênica estava mapeado por nós, com a ida até Arequipa, já em direção ao litoral do Pacífico. Juliaca fica no meio de caminho entre Cusco e Puno.
Já nos primeiros quilômetros percorridos pela estrada até Puno foi possível perceber uma mudança da paisagem. Com uma grande cadeia de montanhas da Cordilheria dos Andes nos acompanhando pelo lado esquerdo da rodovia, e onde a neve estava presente em alguns picos. A vegetação mostrava -se queimada pelo degelo. Vimos inúmeras plantações ao longo da estrada o que nos fez acreditar que, bem diferente das paisagens anteriores, onde predominava a agricultura de subsistência e o pastoreio, agora a agricultura tinha fins mais comerciais. Nesta região, as plantações são mais extensas e já é perceptível uma mudança econômica com casas mais bem planejadas e maiores, contudo, a impressão que fica é de que em boa parte do Peru as casas nunca são terminadas de fato, poucas recebem reboco ou pintura e o que predomina são os tijolos a vista, sejam os fabricados sejam os feitos artesanalmente com barro. Também se vê muita casa abandonada em ruínas ou apenas terrenos demarcados por muros de pedras sem nenhuma construção.
Apesar das inúmeras variedades de plantações pelas quais passamos, o que predomina mesmo são o milho, batata, orégano e manzanilla (camomila) pra chás. A agricultura ainda é familiar, mas você vê mais gente trabalhando. Homens, mulheres e crianças aparecem de enxada na mão. Também diminuem as criações de lhama e da alpaca e aparecem com mais freqüência as ovelhas, vacas, porcos e galinhas. Um fato bastante pitoresco também nos chamou a atenção pelas margens da estrada. A quantidade cachorros. Na verdade não é só nesta região que existem cachorros. Em todo o Peru e em qualquer cidade que se passe, eles estão por todos os lados. O engraçado é que na estrada, esses cachorros, parecidos com ovelheiros, estão lá, deitados no acostamento da rodovia como se estivessem esperando seus donos chegar de algum lugar.
Saímos de Cusco com um clima relativamente frio e ao longo do caminho o tempo foi ficando cada vez mais frio. Mas havia sol. Próximo a uma estação de águas termais, que também fica a beira da estrada, tivemos a sorte de viajar lado a lado com um trem, provavelmente que fazia linha Cusco- Puno. As fotos ficaram muito interessantes.
Antes de chegar a Juliaca, fomos brindados com uma chuva de granizo. Para nós ela não chegou muito forte, mas num vilarejo às margens da estrada demoramos a reconhecer a paisagem branca que se estendia ao longo de alguns quilômetros. Choveu muito granizo pouco antes e o chão e as casas estavam cobertos de branco. Em seguida fomos obrigados a uma parada extra por causa de um pneu furado de um dos carros da expedição. Mesmo com duas estepes para fazer a troca, os rapazes da expedição, muito bem preparados, tinham remendos à mão e depois de achar o prego no pneu fizeram o conserto sem tirar, roda, macaco ou chave.
Paramos para almoçar em Juliaaca, numa polleria, e lá tomamos caldo de galinha e depois o prato da casa, pollo com papas fritas e ensalada (frango, batatas fritas e salada).
Seguimos até Puno por uma estrada um pouco esburacada e chegamos à cidade já no final da tarde e com chuva. Os raios rasgavam o céu no horizonte. Na parada para o almoço em Juliaca, fizemos uma pequena mudança de planos e trocamos o pernoite de Puno por uma cidade chamada Yunguyo, que faz fronteira com a Bolívia, também às margens do Lago Titicaca, uns 100 quilômetros mais pra frente de Puno. Como a fronteira fecha às 20h, dormiríamos em Yunguio e no outro dia partiríamos em direção a fronteira da Bolívia para conhecer Copacabana ( cidade boliviana que recebe muitos turistas e mochileiros que vão visitar o Titicaca). Dormimos na hostal (hospedaria) da Isabel em Yunguio.
http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/CuscoPuno110110?feat=directlink
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