Patrick – “Sachê de Violeta”
Isadora – “A Montanha e o Rio”
Kiko – “Lonely Planet – América Latina”
Leane – “Interoceânica 82”
Peter – “O livro dos Espíritos”
Leo – GPS…………
Patrick – “Sachê de Violeta”
Isadora – “A Montanha e o Rio”
Kiko – “Lonely Planet – América Latina”
Leane – “Interoceânica 82”
Peter – “O livro dos Espíritos”
Leo – GPS…………
O responsável por fazer tudo caber no carro e chegar são e salvo até Lima é Leonardo Berges Bento, o coordenador de logística da Expedição Interoceânica. Leo, que já tem cinco ralis dos sertões nas costas, conta que todo o percurso teve de ser planejado de forma a otimizar o tempo e conciliar a rota com os objetivos desta viagem.
A expedição deve passar pelas principais cidades da estrada Interoceânica, mas, é fundamental que as paradas aconteçam em municípios maiores com estrutura e suporte para eventuais problemas e consertos de última hora, sem contar na praticidade de acomodações.
Além de temperatura extremas que vão de zero até quase 40 graus de temperatura, foi necessário fazer uma previsão de extras, por isso, os carros levam além das bagagens pessoais de cada um, também equipamentos como barraca, sacos de dormir, cadeiras, cozinha de camping. Isso sem contar os materias como câmeras, tripés, acessórios de iluminação, microfones, etc. Também o grupo precisa estar prevenido para enfrentar a Cordilheira dos Andes, a mais de 4 mil metros de altura.
Segundo Leo Bento, na altitude muitos terão problemas como pressão, cansaço fisico, fadiga e outras reações. Por isso existe uma preocupação de que todos fiquem bem e se alimentem corretamente, evitando comidas mais substanciais que levem mais tempo para serem digeridas. Em alguns locais, a opção de pernoite será em acampamentos, e sobre isso, acrescenta Leo: “Acredito que estes sejam os momentos mais importantes, em que o grupo terá que desenvolver o verdadeiro espírito coletivo”.
Grupo viaja no próximo dia 27 de dezembro e percorrerá aproximadamente 13 mil km
O grupo formado por 15 pessoas parte no próximo dia 27 de dezembro, da cidade de Brasília, para percorrer a Rodovia Interoceânica. A estrada, uma construção brasileira e peruana que está em fase final de conclusão. liga os dois países a partir da fronteira através de um eixo rodoviário de aproximadamente 2.600 quilômetros, abrindo caminho entre trechos da Floresta Amazônica e a Cordilheira dos Andes para acessar os portos peruanos de Matarani, Ilo e San Juan.
Essa nova rota que se abre para o turismo terrestre e de aventura também é considerada um ponto crucial de comércio entre os dois países, uma vez que garante uma alterantiva de escoamento dos produtos brasileiros aos portos peruanos, minimizando despesas e distâncias para que eles possam ser exportados para a Ásia, por exemplo.
A Expedição Interoceânica além de servir de conhecimento para esse grupo de aventureiros e estudiosos abrirá um leque de discussões e trabalhos sobre a nova face das cidades e povoados antes isolados, e que agora vivem no entorno da estrada. Entre os objetivos da viagem, além do conhecimento, está a formulação de um documentário e um livro fotográfico sobre a estrada e as novas possibilidades que ela trará aos moradores e viajantes dessa região. Também é idéia dos expedicionários mostrar o impacto que toda essa obra causou ou vai causar a vida dessas pessoas e ao meio-ambiente.
O grupo de 15 pessoas é formado por Carlos Santander (coordenação do projeto); Leonardo Bento(coordenação de logística); Peter Cordenonsi (cineasta); Kiko Scartezini (produtor executivo e cinegrafista); Ruy Baron (fotógrafo); Cláudia Sanz (jornalista responsável pelo blog da viagem e assessoria de imprensa); Leane Cardoso(diário de bordo e logística); Isadora Vasconcelos (apoio técnico e making off); Daniel Gonçalves (apoio técnico e som direto); Lúcio Palheta (blog da rede escolar pública); Gloria Castillo Valverde (coordenadora na cidade de Cuzco/Peru); Milton Martins Ribeiro (pesquisador); Synthia Martins Ribeiro (coordenação de saúde); Maria Jeanette Ribeiro (pesquisadora) e Carla Nascimento (jornalista e assistente de direção).
Durante um período de 30 dias o grupo percorrerá aproximadamente 13 mil quilômetros entre ida e volta passando por cidades como Primavera do Leste, Cuibá, Pimenta Bueno, Porto Velho e Rio Branco – no Brasil – e depois por Iñapari, Puerto Maldonado, Ponte Inambari, Cuzco, Juliaca, Puno, Ilo, Matarani, San Juan, Lima Ayacucho, entre outras cidades peruanas.
A expedição contará com apoio Andrade Gutierrez, uma das empreiteiras responsáveis pela construção do trecho peruano da Rodovia Interoceância, além da Embaixada do Peru, Exército Brasileiro, Ford do Brasil, Green Meeting, OTCA e UNIEURO.
Todo o material colhido durante a viagem, entre fotos, depoimentos e filmagens, servirá de base para edição de um livro: “Interoceânica: O Encontro dos Povos”, previsto para ser lançado no mês de junho de 2010. Já a produção do documentário incluirá a exibição do mesmo em diversas esferas de governo, escolas, universidades, salas de cinema, e abrirá caminho para palestras e encontros de discussão em centros acadêmicos.
Cláudia Sanz
Em menos de duas semanas partiremos para nossa aventura pela Rodovia Interoceânica. Estamos finalizando os últimos ajustes e preparando os equipamentos para a viagem. O grupo, bastante unido, já fez um almoço de confraternização e fará uma carreata no dia 26 de dezembro por alguns pontos da capital do Brasil.
No dia 27 de dezembro, às 4:30 da manhã, está marcado o começo da expedição no Eixo Monumental. Faremos algumas imagens para o documentário e partiremos rumo ao Pacífico. Uma curiosidade desta viagem é que sairemos da capital mais nova das américas, Brasília, com quase 50 anos, rumo a cidade viva mais antiga do continente, Cusco, com mais de 3 mil anos.
São 4 carros, 15 expedicionários e muita vontade de compartilhar e trazer um excelente material audio visual para todos os interessados por esta aventura. O filme documentário fruto desta viagem, “O MOMENTO DO ENCONTRO”, deve ficar pronto na metade do próximo ano e, depois de lançado no Brasil, será feita uma nova expedição de exibição, “VIVA O ENCONTRO”, mostrando o filme para seus próprios personagens, os habitantes afetados por esta rodovia.
Peter Cordenonsi
22/10/2009 20:21:36
Conheça a história do criador da Rota Inca, o peruano Rubén La Torre, no perfil escrito por Vitor Taveira
Ele desce do ônibus e caminha tranquilamente até encontrar o líder da comunidade visitada. Sua fala serena e jeito reservado contrastam com a vibração dos 40 jovens estrangeiros que o acompanham ativos, falantes e dançantes na Ruta Inka 2009. O peruano Rubén La Torre pode não ser a cara do próprio projeto que criou, mas sem dúvidas é a cabeça e também o coração.
Nascido em um pequeno povoado na região de Cuzco, a capital arqueológica da América do Sul, Rubén aprendeu desde pequeno a amar a cultura inca, que encantava visitantes de todo o mundo. O menino foi crescendo e percebeu que o turismo local é dirigido por grandes corporações estrangeiras que faturam milhões. Enquanto isso, indígenas descendentes e herdeiros daquela cultura recebem uma miséria para carregar as mochilas de aventureiros estrangeiros que pagam 300 dólares para fazer o caminho inca até a cidade sagrada de Machu Picchu.
Foi aí que ele pensou em fazer algo para ajudar os povos indígenas. Escolheu a diplomacia como forma de difundir a cultura e buscar projetos que pudessem cooperar com esses povos. Depois de anos de carreira, Rubén coordenaria no Peru a Ruta Quetzal 1995, uma expedição com centenas de jovens promovida pelo governo espanhol com apoio financeiro de um banco e cobertura da televisão estatal.
A partir daí sua vida começaria a mudar. Ao perceber o impacto positivo da viagem, o peruano decidiu ir além e propor outra expedição: a Ruta Inka (Rota Inca, em português), na qual história pudesse ser contada pelos próprios indígenas e não pelo ponto de vista da nação colonizadora. La Torre propôs ao seu país que liderasse a organização desse evento mas não recebeu o apoio necessário. Decidiu então comprar briga com a diplomacia. No ano 2000, renunciou à carreira e ao salário de 6 mil dólares para se aventurar pelos Andes e organizar a expedição com as próprias mãos e a generosidade dos povos locais. “Meu objetivo era criar a Ruta Inka como uma nova diplomacia, não a serviço dos governos e sim dos povos indígenas que são afinal os donos históricos dessas terras.”
A idéia de promover o encontro de jovens de diferentes países com comunidades indígenas tem dupla função: primeiramente contribuir com o resgate da auto-estima desses povos acostumados a serem subjugados e, posteriormente, proporcionar a difusão da cultura indígena em escala planetária por meio futuros líderes. “Pensei que se os estudantes admiradores da cultura inca no mundo atendessem ao chamado dos povos andinos, seria possível criar uma rede de amantes da herança indígena e construir novas relações de amizade, cooperação e desenvolvimento.”
Mas como realizar o evento sem o apoio financeiro necessário? A solução foi recorrer a um esquema simples e caseiro: a chamada minga, o sistema de serviço comunitário do tempo dos incas, no qual cada um ajudava com suas ferramentas e trabalho para realizar obras que beneficiassem a todos. E assim ficou: cada povoado é responsável por receber o grupo de estudante de diferentes países, programar e organizar as atividades como festas, almoços, danças, caminhadas. Os expedicionários ainda contribuem com uma cota de 300 dólares para os custos de transporte, alimentação e alojamento durante a viagem, que tanto em luxo como em atividades passa longe do turismo tradicional.
Passaram-se nove anos desde que Rubén La Torre decidiu se aventurar em busca do apoio dos povos indígenas e já foram realizadas seis expedições. Cerca de 400 jovens representantes de mais de 30 países puderam conhecer de perto a cultura dos antepassados sul-americanos, que continua viva encravada entre as montanhas da Cordilheira dos Andes. Com roteiros diferentes a cada edição, foram percorridas diversas comunidades e os mais importantes sítios históricos, arqueológicos e naturais de Bolívia, Chile, Colômbia, Equador e Peru, países cuja área pertenceu ao Tahuantinsuyo, como era conhecido o antigo império inca. Foram visitados alguns dos principais atrativos turísticos sul-americanos como Machu Picchu no Peru, deserto de Atacama no Chile, Salar de Uyuni na Bolívia e Lago Titicaca na fronteira entre Bolívia e Peru.
Com a mesma serenidade que fala dos sucessos do programa, La Torre também explica as dificuldades e decepções, como o fato de que nem todos expedicionários levam a sério a responsabilidade de difundir as culturas indígenas em seus países. Mas sua maior frustração é não ter recebido apoio financeiro de governos ou instituições que permitissem manter e organizar o programa como deveria. Ele conta que teve que investir praticamente todas suas economias pessoais para que o projeto não naufragasse e que o próximo ano pode ser o seu último à frente da Ruta Inka. Sua última esperança é que a edição 2010 tenha a repercussão necessária para receber o apoio formal de algum governo, caso contrário pretende voltar ao serviço diplomático e espera que novos líderes possam tocar em frente o projeto.
Para o ano que vem está sendo organizada uma edição especial em comemoração aos dez anos de criação da Ruta Inka. Serão realizadas duas etapas de 35 dias cada uma, formadas por grupos diferentes com número recorde de até 190 estudantes para cada trecho. O primeiro grupo visitará Bolívia, Peru, Equador e Colômbia e em seguida passará o bastão a outros expedicionários que sairão em busca de conhecer a cultura maia na América Central. Os critérios de seleção estão no site www.rutainca.org
Ao longo das seis expedições o Brasil contou com a presença de apenas duas estudantes. Por isso, La Torre aproveita para lançar um chamado especial: “Gostaria de convocar os jovens brasileiros amantes da aventura para que assumam o protagonismo dessa Ruta Inka, já que o Brasil é o maior país da América do Sul. Não olhemos tanto para Europa ou América do Norte. Como bons vizinhos nos conheçamos entre nós porque nossos irmãos estão aqui.”
Rota Inca 2009
Nossos agradecimentos a todos os presentes e também aos ausentes no almoço, do dia 29 de novembro… Foram preparados da culinária peruana: Ají de Gallina e um Arroz Chaufa, além disso o indispensável e original Piscosour, ou Pisco Sauer, como a receita manda (com xarope de goma e Amargo de Angostura)
Saibam que não será a unica vez que confraternizaremos por um projeto que nasceu um sucesso!
Abraços a todos!
Criada pela equipe da Substância 4, apresentamos a logomarca da nossa expedição, que sairá dia 27 de dezembro de Brasília com destino a Lima.

Segundo Marcia Albuquerque, nesta imagem temos várias características da nossa expedição. “Uma idéia de globo, do mar, da ligação, do caminho, do desbravamento e as cores da nossa bandeira e do Peru”.
Os carros da expedição serão adesivados com esta imagem, além das marcas dos nossos apoiadores. Sigam a expedição por este blog!
O Encontro dos Povos fará imagens e documentário sobre os impactos da Rodovia Interoceânica
Grupo que reúne diversos profissionais pretende observar o impacto sócio-econômico no Sul do Acre e no Peru, após a construção da estrada
No dia 27 de dezembro de 2009 um grupo de 15 pessoas que reúne cientista político, professor universitário, cinegrafista, cineasta, geógrafo, fotógrafo, jornalista e pessoal de apoio, parte da cidade de Brasília para percorrer a Rodovia Interoceânica até o litoral peruano nos portos de Matarani, Ilo e San Juan. Esta rodovia, em fase final de construção é um dos maiores desafios de engenharia interligando Brasil e Peru.
Mais do que uma viagem de conhecimento e aventura, a Expedição Interoceânica: “O Encontro dos Povos” pretende produzir um livro de fotografia e um documentário mostrando o desenvolvimento e o impacto desta grandiosa obra sobre as populações que vivem em seu entorno.
Carlos Santander um dos coordenadores do projeto e PHD em estudos sócio-políticos da América Latina explica como surgiu a idéia. “Estávamos acompanhando os avanços da estrada interoceânica e surgiu a idéia de realizarmos uma viagem ao Peru por esta rodovia e esta idéia foi se materializando a partir do momento que começamos a modelar o projeto, analisando a viabilidade, buscando parceiros e agregando outras pessoas que se interessaram pela aventura sócio-cultural.” , disse Santander.
Ainda segundo Santander, um dos objetivos da expedição é trazer várias pautas para discussão utilizando os materiais produzidos: na agenda social se destaca a idéia de que a a integração é cada vez mais uma realidade e uma necessidade; na agenda política é necessário discutir o papel e o envolvimento das instituições políticas a fim de eliminar os diversos impactos sociais negativos; já na agenda ambiental buscaremos destacar a transcendência do tema da preservação, que neste caso passou a ser uma preocupação binacional pela região de comum compartilhamento; na agenda econômica, ainda que se oferece para o Brasil a maior oportunidade no âmbito do comércio internacional, pelo que representa o mercado do Ásia Pacífico, chamar atenção sobre o Peru que virá a ser um parceiro estratégico no desenvolvimento do país. A expedição pretende, portanto, mostrar que é possível combinar aventura e responsabilidade social.
Desde o lançamento oficial da obra, em 2005, a Rodovia Interoceânica está cercada de expectativas e promessas de crescimento econômico, redução de custos de transporte para exportação de produtos, abertura de um novo canal de comércio com a Ásia e principalmente a melhoria de vida das populações da região. Só a parte peruana da obra tem 2.600 quilômetros saindo de Rio Branco, no Acre, cortando o Peru em direção aos portos no Oceano Pacífico.
Durante 30 dias os expedicionários pretendem percorrer a rodovia para conhecer a estrada, buscar depoimentos e informações sobre as pessoas que vivem às margens dela e também ver como a rodovia está mudando a vida e a rotina dos habitantes locais. Serão mais de 13 mil quilômetros percorridos neste período.
Todo material colhido durante a viagem, entre fotos, depoimentos e filmagens servirá de base para edição de um livro: “Interoceânica: O Encontro dos Povos”, que deverá ser lançado até a metade do mês de junho de 2010, e produção de um documentário para exibição em diversas esferas de governo, escolas, universidades, salas de cinema em diversos locais, além de palestras e encontros de discussão em centros acadêmicos.
Segundo o cineasta Peter Cordenonsi, responsável pelo documentário, a idéia é mostrar a América Latina para os latino-americanos. “A grande novidade deste documentário é que faremos, depois dos tradicionais eventos de lançamento no Brasil e Peru, uma nova expedição, uma expedição de exibição. A primeira será de captação e a segunda será de exibição. É importante mostrar o filme para seus próprios personagens. O cinema, infelizmente, está restrito aos grandes centros”, explica.
A expedição já conta com o apoio da Embaixada do Peru, da Andrade Gutierrez,, da Ford do Brasil , da Green Meeting, Unieuro e outros parceiros, empresas patrocinadoras, estão surgindo o que torna mais interessante a expedição, pois várias oportunidades se abrem na volta, com a produção do material videográfico, fotográfico e outros eventos que apresentarão esta especial aventura.
Sobre a Interoceânica
O Eixo Viário Interoceânico Sul tem uma extensão de 2.600 quilômetros só no Peru.
No lado brasileiro já existe uma rodovia de 4.345 quilômetros que vai da fronteira com Peru e Bolívia até Santos (SP). Segundo uma estimativa dos governos peruano e brasileiro, o projeto rodoviário terá impacto numa área que abrange 32% do Peru e beneficiará pelo menos 7 milhões de pessoas que vivem nas regiões de Madre de Dios, Cuzco, Puno, Arequipa, Apurímac, Ayacucho, Ica, Tacna, Moquegua, Loreto, San Martin, Ucayali, Huanuco e adjacências.
Ainda em outro levantamento feito pelo Governo do Acre, os cerca de 2 mil quilômetros de extensão da rodovia passam por pelo menos oito reservas florestais onde vivem cerca de 51 povos indígenas. Já existem registros da ação danosa de madeireiras clandestinas invadindo as reservas indígenas, também de conflitos entre fazendeiros, posseiros e garimpeiros. As polícias de cada país, bem como os órgãos de defesa estão preocupados com as questões de fronteira, com a possibilidade de uma nova rota de contrabando e tráfico e ainda e da exploração dos recursos naturais de forma ilegal .
Texto: Cláudia Sanz
“O Encontro dos Povos”
Brasília – Cuzco – Matarani – Ilo – Lima
27 de dezembro de 2009 – 07 de fevereiro de 2010
APRESENTAÇÃO
Depois de cinco anos de obras (2005 a 2010), uma das maiores construções da engenharia Sul-americana, deverá estar concluída. Trata-se da Rodovia Interoceânica, ou Carretera Interoceanica Sur (como é chamada no Peru), um corredor viário de 2.600 quilômetros que possibilitará acesso brasileiro aos portos peruanos no Oceano Pacífico, criando um novo canal para exportações e também para o turismo dos dois países, bem como promovendo a integração e abrindo espaço para o desenvolvimento econômico da região sul peruana, considerada uma das mais pobres daquele país.
JUSTIFICATIVA
A Rodovia Interoceânica, teoricamente, permitirá ao Brasil transportar seus produtos das regiões Norte e Centro-Oeste até portos como os de Ilo, Matarani e San Juan, mais próximos aos mercados dos países asiáticos, diminuindo assim, os custos na colocação desses produtos no mercado internacional.
O término da rodovia vem gerando muitas expectativas no que diz respeito ao cumprimento de tais objetivos, pois espera-se que a estrada abra um novo canal de escoamento de grãos como a soja, além da carne bovina e sirva de alternativa para a exportação de produtos industrializados ou in natura como a extração de madeira certificada e minerais, entre outros. Atualmente as exportações desses produtos são feitas através dos portos brasileiros em Santos (SP) e Paranaguá (PR).
Obra prioritária dos governos Brasileiro e Peruano, a rodovia com custo total estimado em 1,8 bilhão de dólares, promete ser uma alternativa às empresas que estejam dispostas a se estabelecer futuramente às suas margens, gerando emprego e renda para as cidades cortadas pela estrada, além de aumentar o fluxo de turistas nestas regiões remotas, que oferecem a exuberância da floresta amazônica e reservas naturais de rica biodiversidade e também os mistérios da Cordilheira dos Andes com altitudes acima dos 4 mil metros.
Os 2.600 quilômetros da Rodovia Interoceânica ligam a cidade de Rio Branco, capital do Acre, aos portos peruanos de Ilo, Matarani e San Juan. A parte brasileira da obra, com quase 350 quilômetros, está pronta desde 2002. Já o trecho mais longo, com cerca de 1 mil quilômetros, começa em Iñapari (Assis Brasil na parte brasileira), e fronteira entre os dois países, passa por Puerto Maldonado e Puente Inambari, onde se divide em dois trechos. Um deles segue até Urcos, perto de Cuzco, e posteriormente se liga a rede de malha viária peruana até Juliaca. O outro trecho segue de Iñambari direto para Juliaca e dali se divide em direção aos portos de Matarani e Ilo.
Dois consórcios são os responsáveis pela obra internacional. A Odebrecht e suas parceiras peruanas levaram dois dos três trechos licitados e serão responsáveis por 700 km da estrada. Já o consórcio Intersur, que tem a Andrade Gutierrez, a Queiroz Galvão e a Camargo Corrêa, fará o outro trecho de 300 km.
Como qualquer tipo de desenvolvimento gera impacto, algumas questões surgem neste contexto e a principal delas é saber se essa mega obra, além de criar possibilidades positivas no que diz respeito a economia das regiões, também irá causar danos ao meio-ambiente e aos povos e grupos indígenas que habitam as localidades cortadas pela estrada.
O governo peruano acredita que é possível tornar este impacto pequeno, e diz que está reservando dinheiro de um fundo para ajudar nestas questões e também espera contar com o apoio dos brasileiros que já tiveram a experiências da construção de estradas na Amazônia.