Das Estradas e outras hervas

21 02 2010

Cidades visitadas e quilômetros percorridos.

  • De:  Brasília -> Primavera do Leste = 790 km (Estrada Boa: EB)
  • De: Primavera do Leste -> Cuiabá = 232 km (Estrada Normal: EN)
  • De Cuiabá -> Pimenta Bueno = 894Km (EN)
  • De Pimenta Bueno -> Porto Velho = 519 Km (Estrada com muitos buracos: EMB)
  • De Porto Velho -> Rio Branco = 505 Km (Estrada com Poucos Buracos: EPB)
  • De Rio Branco -> Iñapari= 390 km (EN). Esta cidade é fronteira com o Peru
  • De Iñapari -> Puerto Maldonado (Peru) = 245 km (EB). Capital de Madre de Dios. Nota: As estradas peruanas são muito bem sinalizadas.
  • De Puerto Maldonado -> Puente Inambari = 160 Km (EB e EMB) Nota: Nas estradas peruanas realmente pouco importam os quilômetros, por causa das curvas pronunciadas, a velocidade diminui muito. É melhor perguntar a alguém a quanto tempo está uma cidade da outra. A distância não faz sentido e sim o tempo.
  • De Puente Inambari -> Cuzco = 300 Km Nota: Depois de Inambari segue a cidade de Makuso (a Estrada é muito boa. De Makuso até a cidade de Marcapata, a estrada é um pouco ruim já que está sendo feita. Há barreiras que não permitem o acceso até certas horas. Geralmente elas abrem a partir das 12h e vão até as 13h e depois abrem às 18h. Evitem viajar à noite. Acreditamos que no mês de Julho as obras concluam. De dia, é muito linda a Estrada.
  • De Cuzco -> Juliaca = 385 km (EB)
  • De Juliaca -> Puno = 49km (EB) Nota: é o melhor lugar para visitar a Ilha dos Uros. Pois na parte Boliviana só existe uma ilha que aparenta ser uma das ilha, mais não o é.
  • De Puno -> Ilo = 396km (EB) Nota: Dormimos na Cidade de Arequipa. Vale a pena ficar três ou quatro dias nesta cidade, é muito bonita.
  • De Ilo -> Matarani = 350 km (EB). Um dos melhores lugares para comer peixe fresco.
  • De Matarani -> San Juan = 630 km (EB) Nota: Acampamos na vila Las Lomas, próximos a Nazca
  • De San Juan – Lima = 540 Km (EB). Acampamos na Reserva de Paracas  em Lagunillas. Lugar muito bom.

Nota: Quando retornarem de Lima a Cuzco, melhor é  o seguinte trajeto:  Lima -> Nazca, e depois seguir em direção a Puquio e assim sucessivamente até chegar a Cuzco. Talvez  seja este um dos percursos mais charmosos das Américas… vale a pena percorrer.





A Culinaria Peruana

4 02 2010

Considerada uma das 5 mehores do mundo, a culinária peruana é muito diversa. Dependendo do bolso, o brasileiro pode provar uma diversidade de pratos. Na região mais fria, o melhor são os caldos ou sopas: Chairo, Timpu de cabeça de Cordeiro. É muito comum, para enganar o estômago, comer um “Choclo com Queso” = Milho com Queijo. O milho é do Vale de Urubamba, e é diferente daqueles que já conhecemos no Brasil, por ter um grão muito grande, com o qual se preparam muitos pratos saborosos que vale a pena provar.

Se quiserem comer peixes, o melhor é deixar para quando cheguem ao litoral. Provem o Ceviche ou Cebiche: de peixe ou com mariscos. O Cebiche no Peru tem fama internacional pelos seus temperos e forma muito especial de preparar. Comam a Jalea de Mariscos, a Corvina a lo macho, Choritos a la Chalaca (mexilhões), tiraditos… e muitos outros!

A melhor cerveja é a CUZQUEÑA,  muito boa por ter sua água vinda dos Andes. Tomem Chicha Morada e o onipresente refrigerante: INKA KOLA. Caso prefiram outro refrigerante, procurem o substituto da Coca Cola, que tem o nome de KOLA REAL: mais barata, em maior quantidade, e mais saborosa.

Sente  saudades do Brasil? Nas principais cidades, há restaurantes gaúchos (ou argentinos). Podem ir e matar as saudades  devorando a  carne.

Outras recomendações “riquísimas”:   Ocopa Arequipeña, a Papa a la Huancaina, o Ají de Gallina ou o Rocoto Relleno. Frequentem obrigatoriamente os mercados centrais, principalmente o de Cuzco e o de Puerto Maldonado. Frutas obrigatórias a comer são: Capuli, Pacae, Lucuma e Tuna. A 20 km de Cuzco, devem comer obrigatoriamente no distrito de Tipón, o famoso CUY. Também devem comer os pratos elaborados com a Quinua e a Kiwuicha. Frequentem o famoso CHIFA: em todas as cidades sempre há um. Chifa é um espaço de fusão da comida oriental e  peruana. Única no continente… nem em NY se come a comida oriental como no Peru. Posso assegurar. A oferta é impresionante. Dependendo do bolso terão melhores qualidades culinárias. Mas geralmente em todo canto sempre encontrarão -ainda que não necessariamente restaurantes lindos – comida muito saborosa. Querem tomar café da manhã? Sugiro um Caldo de Galinha: sempre há no mercado principal. Logo aí terão sucos dos mais diversos. Em geral, os preços são muito bons, a qualidade é de primeira e quem não gostar da comida peruana, que jogue a primeira língua!





Recomendações para viajar

4 02 2010

1. Durante a viagem, evite comer em grande quantidade. Pode se apresentar uma bela oportunidade para baixar de peso. Na altitude, os alimentos são digeridos lentamente.

2. Há postos de gasolina ou diesel por todo o percurso. Alguns deles ficam dentro de uma casa como em Iãpari. Mas parece que a gasolina não é tão ruim.

3. O custo da gasolina foi de 1,50 reais o litro. Desde Brasilia até Lima (6,500 quilômetros) com uma camionete Ranger 4×2. Boa parte dos postos de gasolina no percurso não aceitam cartão de crédito. Troquem dinheiro na fronteira (iñapari), do contrário perderão no câmbio quando adentrarem o país.

4. Comprem roupa de frio em Puerto Maldonado, que é mais barato.

5. Se alguem não gostar de picante (pimenta) é só dizer: “sin Ají por favor”. Não esqueçam do “por favor”

6. É importante ter um bom trato com os policiais, os quais são muito amigáveis. A diferença de outros países latinoamericanos, os peruanos são muito atenciosos. Evitem ser grosseiros ou se mostrar arrogantes…

7. Há crianças que pedem “propina” = gorjeta para que lhes tirem uma foto. Isto é racional. Se nossas modelos cobram, por que elas não..?

8. Tenham cuidado com suas coisas…  Como em todas as áreas turísticas, a prudência sempre é a melhor amiga.

9. Se procuram um bom serviço terão que pagar… Não se queixem, pois a oferta é ampla para todos os bolsos… Possivelmente, por poupar umas quantas moedas, o negócio sai ruim. “Diga-me o que procuras frequentar, e todos saberão quanto tens de grana”.

10. É importante ir com a mente aberta, pois a cultura peruana é muito rica…  os peruanos sempre procuram agradar o estrangeiro. Não abusar é a melhor recomendação. Visitem pelo menos algum museu.

11. Procurem sempre cumprir com as recomendações fitossanitárias do país, pois podem ter problemas com a polícia caso pretendam introduzir alimentos em estado natural.

12. Quando fizerem uma reserva de hotel, tentem cumprir com a data de chegada, do contrário poderá  ser cobrado por esse dia. Tenham em conta que muita gente faz reserva. Caso lhes encaminhem um aviso de saída, não se surpreendam, pois  reserva é reserva. E em qualquer parte do mundo esta é respeitada.

13. Procurem aprender algo de espanhol, pois os atendentes (garçons, taxis, recepcionistas) não têm a obrigação de saber o português, muito menos devemos perder a paciência, pois ninguém pode adivinhar o que nós estamos pedindo. Busquem um intérprete se for o caso.

14. Antes de consumir algum serviço, perguntem direito. (Aconteceu que perguntamos sobre se no contrato de serviço de hotel havia café da manhã= “desayuno”. Eles disseram que sim. O que é obvio aqui no Brasil, no Perú não é. Deve-se perguntar se está incluído no preço da hospedagem o DESAYUNO. Do contrário, terão que pagar o serviço.

15. Evitem manifestar seus preconceitos em público. Tanto no Brasil como no Peru existem problemas sociais como pobreza ou desigualdade. Mais ainda na região do sul do Peru que é a mais pobre. É comum falar de forma pejorativa sobre algumas questões quando não se tem conhecimento a fundo das coisas. Isto nos pode fazer parecer arrogantes e além disso nos mostrar como ignorantes. É permitido comparar mas sem a pretensão de inferiorizar o outro.

16. No Peru, não confiem nos sinais de ultrapassagem, já que lá possuem significados diferentes. Eles não estão errados, simplesmente são costumes diferentes.





Lima é uma cidade totalmente diferente do resto do Peru que conhecemos

24 01 2010

Desde que chegamos a Lima, no dia 17 de janeiro, já à noite, fomos percebendo o quanto a Capital peruana é diferente das demais cidades. Por seu grau de urbanidade, pelas pessoas que vivem lá e também por ser o grande centro econômico do país. Passamos por algumas das maiores cidades peruanas como Cusco, Arequipa, Puno, mas, Lima é diferente de todas elas.

A Capital limenha tem aproximadamente 9 milhões de habitantes, pouco menor que a capital paulistana que tem mais de 11 milhões de habitantes, e é um verdadeiro formigueiro humano. Como não saímos do distrito (bairro) de Miraflores, não podemos falar do restante da cidade, mas uma coisa é certa, com o trânsito caótico de uma grande cidade.  Melhor andar de taxi.

No estacionamento onde deixamos os carros nos quatro dias em que ficamos pela cidade, conhecemos uma brasileira que mora há dez anos no Peru. O nome dela é Ariane e o marido trabalha na empreiteira Andrade Gutierrez, umas das empresas brasileiras que fazem parte do consórcio de construção da Rodovia Interoceânica. Ariane nos deu dicas de lugar para conhecer.

Miraflores tem um litoral bem interessante, embora pouco usável pra banho. O fundo de pedras é bastante dolorido aos pés e o mar afunda muito rápido sendo desaconselhável ao banho para desavisados turistas. Os cidadões locais e surfistas são os maiores freqüentadores, mas disseram que os limenhos costumam viajar cerca de 15 a 20 km para aproveitar as praias mais ao sul da capital. Em Miraflores, surfistas de várias partes do mundo vão para praticar seu esporte predileto, e num final de tarde a orla fica lotada deles.  Um dos espetáculos interessantes da praia, é o barulho que as ondas fazem ao baterem nas pedras e depois o refluxo dessas mesmas ondas pelas pedras rolando .

Ainda não havia sido mencionado por nós da expedição o assunto terremoto, mas os cismos estão presentes em várias partes do Peru.  Não passamos pela experiência de ver a terra tremer, mas vimos em vários lugares os estragos causados pelos últimos terremotos no peruanos, e como o povo convive com eles. Pensando na situação terremoto dá pra tentar explicar porque muitas cidades tem aparência de estar inacabadas ou ainda em construção. As casas sempre tem ferros de vigas apontando para cima dando a entender que mais um piso está planejado, a maioria é tijolos a vista, sem reboco ou pintura dando um aspecto de estar em obras. Vimos isso em Cusco, Arequipa, e boa parte do litoral peruano.

Em Arequipa, na Praça de Armas, tombada pelo Patrimônio Histórico Mundial , uma enorme placa homenageia as pessoas que ajudaram na reconstrução da cidade depois do terromoto de 2001, que destruiu boa parte da cidade inclusive e as torres da catedral, já restauradas. Em 2007 um novo terremoto de 8 graus na escala Richter abalou o litoral peruano próximo a Lima, destruindo algumas cidades litorâneas e matando cerca de 500 pessoas. As cidades de Ica, Pisco, San Vicente de Cañete e Chincha Alta foram as mais atingidas. Passamos por todas elas a caminho de Lima e vimos os destroços de muitas casas. Em todos os lugares públicos que andamos nas cidades atingidas por terromotos ou suscetíveis a eles, placas, cartazes e indicações no chão mostram os locais seguros, as saídas de emergência e a capacidade de concentração de pessoas em cada lugar.

Praticamente a Expedição Interoceanica se encerrou em Lima, embora parte do grupo ainda regressaria pelos pontos principais da viagem de vinda, para terminar entrevistas e colher novas imagens. Outra parte do grupo optou por retornar pela Bolívia, uma oportunidade de conhecer La Paz e outros lugares.

O Diário da Expedição Interoceânica ficará com a última postagem de Lima.

Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/190110Lima





Domingão com pó, sujeira e uma chegada em Lima de tirar a paciência

22 01 2010

O domingão, dia 17 de janeiro, iniciou com o barulho de barcos pesqueiros partindo do lugar onde estávamos acampados, na Reserva Ecológica de Paracas. O lugar é reduto de pescadores que seguem para alto em mar em busca de peixes. Num rápido passeio pelo lugar foi possível ver inúmeros pássaros, de pelicanos a gaivotas em revoadas que se assemelhavam a cenas do filme “os Pássaros”, de Alfred Hichtcok.

Dizem que a reserva, além de abrigar aves, também é reduto de proteção de leões marinhos, e assim espero que seja, embora na caminhada pela praia tenha visto só leões marinhos mortos.

Os expedicionários tomaram um café rápido e desmontaram suas barracas, pois como havíamos acampado dentro de um dos restaurantes, precisávamos desocupar o espaço para que eles arrumassem as coisas e limpassem o lugar esperando os turistas que viriam para o almoço do domingo.

A idéia era seguir ainda pela manhã para a cidade de Lima que ficava a uns 250 quilômetros mais ao norte de onde estávamos. Mas optamos por passar a manhã na reserva, conhecendo-a melhor, já que havíamos chegado na noite do dia anterior sem chance de ver suas belezas. O lugar é bonito, mas claro que deserto com muita areia, solo seco e água mesmo, só a do mar. E aproveitando-se das enormes dunas de areia e pedra do lugar (são dunas bastante duras) algumas empresas exploram o turismo com passeios, levando turistas a conhecer suas belezas. O preço meio salgado de 70 dólares por pessoa ,é feito num buggy enorme especialmente construída para este tipo de passeio. Há também buggys menores pra duas pessoas mas o preço não varia muito, sem contar que o mais sensato é contratar o serviço no buggy grande que tem motorista e um guia que sabe o caminho.

Almoçamos um peixe saboroso no restaurante onde dormimos, uma espécie de gentileza nossa, consumir no bar, já que fomos muito bem recebidos pelo dono do lugar que nos acolheu e que abriu seu espaço sem cobrar nada. Além disso, todos os trabalhadores do lugar foram simpáticos e gentis, mostrando que o povo peruano gosta dos turistas, embora na maioria dos lugares nem sempre fomos bem recebidos.

Depois do almoço, mas antes de seguir rumo a Lima, conseguimos uma cortesia, já que um dos exploradores de buggy da região passeava com a família e não se importou em mostrar os diversos pontos de visitação das dunas, sem nos cobrar nada, até porque todos queriam ir em seus próprios carros. Quem tem carro 4×4 não perde uma chance de andar em terrenos arenosos como àquele. O passeio pelas dunas deixa Jericoacoara, no Ceará ou as dunas das praias de Natal, no chinelo.

Com tanta areia e pó levantando, não é preciso dizer qual o estado em que se encontravam os expedicionários depois do passeio pela areia e que rendeu fotos maravilhosas dos penhascos, das aves, dos leões marinhos vivos ( mesmo que a distância) e ainda uma das atrações especiais do local as linhas do candelabro, parte das linhas desenhadas no deserto. Vimos às tais linhas bem de perto.

Mais sujos do que antes, com dois dias de banho em atraso e uma cama extra de pó e areia dos pés à cabeça ( quase à milanesa) pegamos a Panamericana Sur rumo a Lima. E dá-le pedágio. Pagamos vários com preços variados, de 7,50 e 5 soles.

Talvez ninguém tivesse idéia do que nos esperava, até chegar a parte duplicada da rodovia e já a uns 100 quilômetros  de Lima. Pois bem, final de tarde de um domingão, e……um movimento monstro na rodovia. Quase como a volta dos paulistanos do litoral ao final de um feriado. Paciência de Jó.

Depois de inúmeras voltas até achar as ruas que deveríamos pegar, chegamos a Miraflores, que é um dos bairros mais chiques de Lima ( eles, os limenhos, consideram Miraflores uma municipalidade com prefeito e tudo), mas pra ficar mais fácil de entender é melhor explicar que é um bairro.

Levamos algum tempo para achar um hotel, era domingo e a maioria não tinha acomodações disponíveis, então estacionamos os carros e fomos dar voltar até achar hotel. Encontramos um bem próximo a praça de Miraflores, que é o ponto de encontro para tudo. Em Lima, os preços são bem mais salgados, mas encontramos o Tinkus, um hotel pequeno com diárias entre 30 e 40 dólares.

Finalmente poderíamos tomar banho e dormir numa boa cama. O banho foi de escovão.

Fotos no : http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/170110Paracas?feat=directlink





Dois dias sem banho e um vôo sobre Nazca

19 01 2010

Dois dias sem banho e um vôo sobre Nazca

Repetimos neste sábado, dia 16 de janeiro de 2010, o acampamento a beira-mar, só que desta vez a dormida foi numa Reserva Nacional de Paracas, próximo a cidade de Paracas, a uns 250 quilômetros mais a frente  de onde estávamos na noite anterior, e cerca de 130 quilômetros da cidade de Nazca. Não precisa ser dito que pelo segundo dia consecutivo o banho foi esquecido.

Partimos de manhã de Las Lomas, depois de tomar café da manhã olhando o mar e uma porção de pelicanos que se amontoavam em algumas pedras a poucos metros da praia. O pelicano é grande, desengonçando, e com um vôo bem semelhante ao do Cesna que pegamos em Nasca para avistar as famosas linhas desenhadas há séculos no deserto peruano.

Criados pelo povo de Nasca entre os séculos III a.C e VIII, estes geóglifos representam centenas de figuras, incluindo imagens estilizadas de animais como macacos, beija-flores ou lagartos. O curioso é que, de tão extensas que são as figuras, elas não são perceptíveis do solo, mas apenas por vistas aéreas, dando margens a cogitação das razões pelas quais foram feitas e dos efeitos que puderam causar, já que aquela civilização não possuía aeroplanos.

Nosso objetivo era chegar a Nasca para fazer o vôo de observação, mas antes disso tínhamos um compromisso que fazia parte da expedição, que era justamente fazer imagens de mais um porto da Rodovia Interoceânica, em San Juan.

O porto é basicamente um porto pesqueiro, mas existe uma grande empresa chinesa explorando minérios na mesma região e com um porto particular para as exportações dos mesmos para Ásia. Não tivemos autorização para entrar no porto da empresa estrangeira, mas conseguimos conversar com o administrador do porto pesqueiro, que falou das suas expectativas com a estrada e a oportunidade de novos negócios.

Depois do compromisso com a “carretera”, seguimos rumo a Nazca. A cidade é até grande, já que se localiza no meio do deserto, tem um aeroporto as margens da rodovia e que é explorado por diversas empresas que trabalham com pequenos aviões, a maioria do modelo Cesna e onde muitos estrangeiros deixam seus dólares para conhecer as tais linhas desenhadas no deserto. Apesar das informações que tínhamos sobre a cidade não ter nada e ser um pouco perigosa em função de assaltos, Nazca não pareceu ser tão faroeste, embora numa volta rápida pelo centro da cidade tenhamos encontrado diversas lojas abertas mas com grades nas portas para fazer atendimento. No meio do deserto, uma coisa é inegável, o calor é insuportável.

Almoçamos em um restaurante no centro da cidade antes de seguir até o aeroporto para fazer o vôo de observação.

Nas informações contraditórias, nos disseram que apenas era possível fazer um vôo fechando um pacote com as empresas que atuam fora do aeroporto. No fim descobrimos que lá dentro mesmo do aeroporto era possível. A questão toda é que devem ser grupos fechados de no mínimo cinco pessoas. Cada um pagou 45 dólares pelo vôo, e como o pagamento foi no cartão de crédito ainda mais 6% de taxa do cartão, o que deu 48 dólares. Nas despesas ainda faltava a taxa de embarque do aeroporto que era de 20 soles por pessoa. Do grupo de expedicionários, 10 se aventuraram no avião, os outros cinco (Leo, Carlos, Leane, Isadora e Peter) optaram por seguir até Paracas para adiantar o acampamento do dia, que novamente seria a beira-mar, numa reserva ecológica. Paracas ficava a uns 150 quilômetros mais à frente rumo a Lima.

Para os expedicionários de estômago forte, o passeio do Cesna foi divertido, embora a maioria tenha dito que não conseguir ver direito todos os desenhos mostrados pelo piloto, a cada inclinação de asa que ele fazia. No meu caso (Claudia) e de mais uma expedicionária (Synthia), o que mais vimos no vôo de pouco mais de 30 minutos, foi o saquinho de enjôo socado no meio da cara para aliviar o almoço recém mastigado. E nem dava pra pedir pra descer. Um verdadeiro filme de horror. O calor dentro do pequeno avião contribui para o bem mal-estar, mas foram principalmente as manobras e solavancos do avião que fizeram o estrago maior. Em suma, foi a vomitada mais cara de nossas vidas.

Em terra novamente, todos os voadores com estômago e os que esvaziaram no meio do caminho, seguiram viagem até Paracas. Chegamos à tal Reserva Ecológica à noite e sedentos por um banho. Infelizmente, depois de montar barracas dentro das acomodações de um restaurante, claro que com autorização do proprietário, descobrimos que não havia água para o sonhado banho. Resignados, alguns dormiram sem banho pelo segundo dia consecutivo. As mulheres, sempre mais atentas às questões de higiene ainda conseguiram negociar com o  rapaz que cuidava do lugar, uma garrafinha de água de 250ml para se lavar. Uma missão impossível, mas pode ter certeza que algumas conseguiram se lavar e ainda deixar uma aguinha de reserva para qualquer e emergência. Acampar sem água é o caos. Mas foi divertido embora não tenha sido muito cheiroso.

A reserva tem uma meia de dúzia de bares que funcionam durante o dia, localizados numa das pontas da península. Dali também saem os barcos de pesca todos os dias. Lugar árido e sem água, a não ser a do mar, mas bonito. Belezas que só pudemos apreciar no dia seguinte, ao amanhecer, já que havíamos chegado com noite fechada ao local.

Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/160110Nasca?feat=directlink





Um acampamento a beira-mar no Oceano Pacífico

19 01 2010

Depois do primeiro banho de mar no Pacífico, com direto e a por de sol e tudo, dormimos em Mollendo e no dia seguinte saímos do balneário para chegar a Nazca, a uns 450 km, onde a grande a atração do nosso grupo era conhecer as famosas linhas esculpidas na terra. Elas formam desenhos gigantescos, mas os mesmo só são visíveis do ar e alguns deles do mar.

Ainda precisávamos nos encontrar com parte do grupo de expedicionários formado por Carlos, Leane, Isadora, Daniel e Lúcio num carro e Milton, Jeanette e Synthia em outro, que haviam seguido de Arequipa para o porto de Illo, mais ao Sul do Peru. Para o porto de Matarani, seguiram Leo, Kiko, Peter, Carla e Patrick, além de Baron e Cláudia. O ponto de encontro dos expedicionários foi em Camaná, outro balneário a beira-mar pouco mais a frente em direção ao norte de Mollendo e a aproximadamente 160 km.

Aproveitamos o dia quente de sol para uma parada em Camaná, com direito a almoço variado de frutos do mar, cheviche, arroz com frutos do mar, peixe à milanesa (tudo com papas fritas e arroz) e ainda um prato especial da casa que misturava cheviche, polvo, marisco e lagostim. Os que chegaram antes aproveitaram ainda para um banho de mar, com água muito gelada e ondas fortes.

Depois do almoço e um pouco de discussão sobre a situação do Peru, seguimos viagem em direção a Nasca. Novamente no meio do deserto e costeando o mar. A paisagem em toda essa região do Peru é árida, mas com alternância de cores. Muitas pedras, areia, montanhas, quase nenhum verde, embora ao longo do caminho tenhamos encontrado, próximos às cidades litorâneas algumas grandes plantações de arroz, frutas e a famosa batata.

O deserto ocupa uma faixa ao longo da costa norte do Peru junto ao Pacífico, logo ao sul da cidade de Piura. Ele se estende desde a costa cerca de 100 km para o interior até os cumes secundários do Andes. A área total do deserto de Sechura é 188.735 km².

O dia foi chegando ao fim e ainda estávamos na estrada, o projeto era acampar próximo ao Porto de San Juan, um outro porto pesqueiro e de exportação de minério de ferro, cuja estrada integra o trecho 1 da Rodovia Interoceância. Passamos pelo balneário de Yauca, na costa litorânea e pensamos em acampar lá enquanto ainda restava um pouco de luz do dia para montar as barracas, mas apesar de estarmos em pleno deserto peruano, onde chove muito pouco durante todo o ano, havia uma extensa maresia e umidade do ar, que quase abortou nossa missão. Depois de pegar informações com guardas rodoviários, buscamos um lugar pra ficar em Las Lomas,

Já estava escuro e Las Lomas acabou nos servindo abrigo, buscamos uma pousada, acho que a única da cidade e a dona queria cerca 100 soles por cada quarto, sendo que não havia acomodações para todos. Também na hora fomos surpreendidos por um apagão de energia na pequena cidade. Às escuras tentamos negociar com senhora da hospedaria, que não foi muito flexível, então a decisão acertada foi acampar a beira-mar.

Las Lomas é um balneário em forma de uma pequena península, então em ambos os lados da cidade havia praias, optamos por um lugar já quase na saída da cidade, onde outros campistas costumam ficar à beira-mar. Apesar do céu estralado, não tínhamos como avaliar se o lugar na areia era seguro, então, como numa espécie de milagre achamos um local todo cimentado, uma espécie de mirador nos salvou. Tinha espaço seguro para barracas e carros. Foi onde nos instalamos.

Depois de armada as barracas o próximo passo era escolher o menu da janta, já que todos estavam esfomeados. Em camping a praticidade predomina então a opção foi um arroz com lingüiça. Com um dia cansativo de estrada ninguém estava a fim de muito papo, então ajeitamos o que era possível ajeitar no carro, para que não ficassem dando “sopa” aos amigos do alheio e fomos dormir. A maioria se contentou com o chamado banho de gato, feito com lencinhos umidecidos. Pros mais chiques chamamos isso de banho à francesa. Au revoir!

Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/150110LasLomas?feat=directlink