Dia longo da expedição até Puerto Maldonado

7 01 2010

Antes de começar a atualizar o blog da Expedição Interoceânica é importante explicar que nos últimos três dias estivemos impossibilitados de postar novas informações devido às dificuldades de comunicação e internet pelos lugares onde passamos. Com posts atrasados vamos recuperar o tempo perdido a partir de agora, com nossa chegada a  cidade de Cusco.

O dia 3 de janeiro de 2010, domingo, foi um dos mais longos da Expedição Interoceânica até agora. O grupo saiu da cidade de Rio Branco no Acre e cruzou a fronteira do Peru seguindo até de Puerto Maldonado num total de 650 quilômetros. Verdadeiramente foram os primeiros quilômetros percorridos na Rodovia Interoceânica Sul, como é chamada pelos peruanos.

O dia começou por volta das 5h da manhã, horário marcado para a saída do quartel do Exército de Rio Branco no 4º Batalhão de Infantaria da Selva. Pegamos a rodovia BR-317 até a cidade de Assis Brasil, já próximo a fronteira com o Peru. Antes, porém, o grupo fez uma passagem pela cidade de Xapuri, terra do sindicalista e seringueiro assassinado Chico Mendes.

Numa visita à casa do líder dos seringueiros e ao memorial que leva o seu nome, foram colhidos depoimentos de pessoas que trabalham em uma cooperativa de extração do látex  (líquido leitoso que sangra da seringueira e é usado para fazer borracha, mas que os seringueiros chamam de seringa). Raimunda da Silva Ferreira, uma das seringueiras entrevistadas reclamou que os trabalhadores estão cansados de aguardar os subsídios prometidos pelo governo para a extração da seringa, e disse ainda  estar esperançosa de que, com uma maior movimentação comercial na rodovia que liga Brasil e Peru, as coisas venham a melhorar para os trabalhadores que hoje vivem da extração da seringa e também da coleta de castanhas.

Na fazenda Cachoeira, próximo ao seringal Cachoeira, conversamos com primos de Chico Mendes que também são seringueiros e que hoje tocam, junto com o restante da família e demais associados, as atividades de extração da borracha e da castanha no seringal. Antônio Teixeira Mendes, o Duda, falou que existem diversos grupos de seringueiros organizados e que a organização em cooperativas será a única forma de eles continuarem com suas atividades de forma sustentável e sem agressões à natureza. Ele também acredita que a estrada Interoceânica vá trazer para sua região, indústrias e empresas interessadas na borracha e na castanha e que isso será um grande progresso, mas teme também a exploração ilegal.

Quem aprecia a castanha do Pará, ou castanha do Brasil, deveria uma vez na vida, comê-la como tivemos a oportunidade de fazer em Xapuri.  Com muita habilidade os castanheiros manejam o facão, primeiro para quebrar seu invólucro duro ( como se fosse um côco) e depois para descascar  o fruto. Muito mais saboroso e diferente do gosto que estamos acostumados a experimentar nas embalagens de supermercados e feiras.

Terminada a visita a Xapuri seguimos em direção a fronteira com Peru, nas proximidades de Assis Brasil. Antes disso, encontramos também, rumando para Cusco, um grupo de trolleiros de Fortaleza, que já estavam na estrada há alguns dias. Tiramos fotos juntos, próximo a uma placa que indicava o início da Rodovia Interoceânica.

Como era domingo, dia 3 de janeiro, ao chegar ao posto de fronteira brasileiros fomos obrigados a esperar cerca de meia hora até que a imigração e da Polícia Federal abrissem, às 14h30. A espera não foi longa, mas o calor era insuportável. Depois de legalizar a situação seguimos, então, em direção a aduana peruana, poucos quilômetros mais a frente.

O posto de fronteira peruano é desequipado e movimentado e não tivemos vida fácil para conseguirmos liberar a passagem. Primeiro é necessário preencher um formulário individual para dar a entrada  ao país, depois do formulário carimbado, ainda precisamos passar pela polícia de fronteira. Mas a parte mais demorada é justamente e liberação dos carros. Além, é claro, do formulário e documentos eles exigem xerox de tudo, e, obviamente não existe máquina de xerox por ali , então foi preciso ir à procura de um lugar que os fizesse. As cópias xerox são do passaporte, carteira de motorista, documentos do carro e seguro. Terminada a burocracia de preenchimentos vem a segunda parte, que é passar pela inspeção da polícia. Alimentos perecíveis como frutas são barrados, eles também pedem para olhar algumas bagagens, ou seja o bagageiro do carro fica uma bagunça.

Para resumir a história perdemos cerca de 3h na aduana peruana, em Iñapari, num calor insuportável de 36 a 38 graus aproximadamente, muito pó, pouquíssima sombra e uma fome de leão. Com a demora e a fome apertando, fomos obrigados a encarar um bolinho de aipim com carne moída. Perigoso, mas frito na hora, e com grande saída, principalmente à medida que os ônibus chegavam e os passageiros precisavam passar pelo mesmo procedimento que passamos para cruzar a fronteira. Foi em Iñapari que provamos a primeira Cuzqueña quente (temperatura ambiente segundo os peruanos). A cerveja é saborosa, mas à temperatura ambiente demora mais a descer.

De Iñambary até Puerto Maldonado, nosso primeiro pernoite em território peruano, tínhamos pela frente mais uns 300 quilômetros. O horário peruano tem 3h de diferença a menos, em relação ao horário de Brasília. Voltamos a rodar por volta das 17h (horário local) até nosso destino. Em vários trechos da rodovia existem quebra-molas nas áreas urbanas, e passamos por pelo menos seis cidades (Ibéria, San Lorenzo, Acerta, Mavila, Alegria e Plancho). Isso reduz bastante a velocidade de viagem e fomos noite adentro. Alguns brasileiros que encontramos na fila da aduana haviam comentado sobre abastecimento dos carros. Na verdade é prudente manter a tanque cheio à medida do possível, porque os postos de combustíveis fecham por volta das 17h. O diesel é mais fácil de conseguir nas pequenas cidades porque a energia e a iluminação são fornecidas por geradores à diesel. Uma incongruência dessa região que é considerada bastante pobre no Peru, pois ao longo da estrada avistamos postes de energia elétrica, mas essa energia é cara para a população.

Para nós brasileiros é um pouco chocante ver como a vida dessas pessoas ainda está atrasada no que diz respeito a saneamento, higiene, e alimentação, entre outras coisas. Chegamos a Puerto Maldonado por volta das 22h (local),  os últimos 10 quilômetros foram os mais difíceis, depois de um dia inteiro no carro. A estrada está sem asfalto em alguns quilômetros, o calor insuportável, o pó e um pouco de neblina minaram as últimas resistências. Mas para chegar a Puerto Maldonado ainda precisávamos cruzar de balsa o Rio Madre de Dios. Pelo horário, a balsa grande não mais funcionava, então a solução eram as balsas pequenas, onde cabe apenas um carro por vez.  Na fila havia mais três carros na nossa frente, além dos outros quatro carros da Expedição, então, nessa travessia de um por um, levamos mais de uma hora, embora o serviço da balsa tenha sido bastante ágil. O valor da travessia é 20 soles (moeda peruana), mas um desavisado pode pagar mais se não negociar. Para sair do porto e finalmente chegar à cidade, mais 1,50 soles.

Puerto Maldonado é a cidade das motocicletas e moto taxis, o trânsito é caótico e barulhento e a buzina é principal acessório usado. Depois de rodar um pouco à procura de hotel encontramos, o Hotel Mirador, bastante honesto e razoável.  Assim terminou o dia mais longo da Expedição depois de mais de 20h de estrada.

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6 responses

7 01 2010
Luiza

Pai,

que maravilha de viagem. Estou louca para saber de cada detalhe!
Te amo e adorei falar com você.
Minha mãe ta pedindo imã de geladeira dos lugares q vc passar.

Beijos

7 01 2010
expedicaointeroceanica

Lulu o caminho dos Andes é lindo vcs tem que conhecer vamos nos programar para fazer isso. Fale com sua mãe que vou imprimir qd chegar algumas fotos e mando para ela. Entre no blog educativo para ver as fotos e mandar o seu recado. O site direto é : http://www.expedicaointeroceanica/educativo.wordpress.com

Bjs filha.

7 01 2010
marcia

é isso aí gente! força!
assim q possível, mandem algumas fotos para ilustrar o texto bacana q vcs postaram.
boas “entradas”.

marcia

7 01 2010
expedicaointeroceanica

Marcia, legal vc estar acompanhando. Em breve mandaremos fotos, temos uns problemas de conexao.
A viagem está super legal, cansativa e aventureira. Correria. Agora vamos parar um pouco em Cusco.
Bjs, Peter

7 01 2010
Jorge Geovani

Olá Expedicionários.
É muito gratificante ter notícias.
Quando passamos nesse caminho encontramos LanHause em alguns lugares e rádio HF em todas as cidades/vilas.
Estou sempre em QAP em 7.093 KHz e nessa faixa de frequencia há sempre alguém além das “rodadas”.
O percurso mais difícil já passou.
Agora é mais tranquilo, inclusive quando chegarem ao Atacama.
Continuaremos acompanhando e se necessitarem é só entrar em contato.
Sucesso sempre!!!
Jorge Geovani
PT2HP

21 03 2010
Cynthia

Olá Expedicionários,

Muito bacana a viagem! Tenho a intenção de ir de Rio Branco a Cuzco em junho. Eu e meu marido. Gostaria de saber se de Puerto a Cuzco indicam que aluguemos um carro em Rio Branco e iríamos direto. Estou disposta a aventurar…

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