05-01-2010 Um dia praticamente perdido

8 01 2010

O dia 5 de janeiro de 2010, terça-feira, foi um dia enrolado. Depois de levantarmos acampamento na ponte de Inambari, seguimos alguns quilômetros no trecho 4 da Rodovia Interoceância que segue para Juliaca, mais ao Sul do Peru. Aproximadamente uns 100 quilômetros dessa estrada está em obras, e como um dos patrocinadores da expedição, a Andrade Gutierrez, faz parte do consórcio que constrói a rodovia fomos até o canteiro de obras conversar com os encarregados.

Veículos passam por dentro de um rio

Rodovia ainda em obras em muitos desafios

O trecho 4 fica fechado durante o dia e só é liberado ao tráfego durante a noite, das 18h às 6h da manhã. Muitos caminhões de diesel e alguns ônibus de transporte de passageiros trafegam nesta estrada à noite. Muito perigo, porque a rodovia tem lama, queda de rochas e os motoristas de caminhão, principalmente, não são muito cuidadosos e empurram os veículos menores para fora da pista nos trechos mais estreitos.

Para trafegar por ela, durante o dia, foi necessário algumas conversas com os operários e responsáveis. Percorremos alguns quilômetros mostrando os trabalhos na rodovia. No canteiro de obras o grupo entrevistou Gonçalo Cabrera Cano, supervisor de segurança do consórcio.

Como nosso destino era Cusco, retornamos pela mesma estrada até a ponte em Inambari, voltando ao trecho 2 da Interoceância. Boa parte do trecho também está em obras então foi necessário cuidado redobrado. Percorremos cerca de 50 quilômetros e fomos barrados na estrada. Eram 2h da tarde, o calor era digno de um deserto, misturado com a poeira da estrada deixava a qualquer um desconfortável. No trecho a frente o tráfego, a exemplo do que acontece no trecho 4, só é liberado a partir das 17h30, ou durante o período de almoço dos trabalhadores. Nem com jeitinho e conversa conseguimos passar, porque segundo o encarregado seriam feitas detonações de rocha.

Estrada em obras só é liberada a noite

Ficamos parados mais de 3h na rodovia

Restou-nos esperar até às 17h30, numa pequena casa próxima a rodovia, que vendia água e refrigerantes (“Al tiempo”, como dizem por aqui, o que é a mesma coisa que na temperatura ambiente ou especificamente naquele dia, quase fervendo), além de comida (talharim com frango). Todos tinham fome. Gastamos vários soles por ali, com água e inca cola (um refrigerante amarelado com gosto de tuti-frutti) e claro, duas cusqueñas quentes, que eram as únicas do freezer desligado. Cabe uma explicação que parece pertinente, já que só agora começamos a entender o porquê de não haver água, nem refrigerantes nem cerveja geladas num calor senegalesco. A energia é de geradores à diesel e os geradores só são ligados durante a noite. De dia não há energia ou então eles economizam já que o diesel custa em torno de 10,20 soles o galão ou seja pouco mais de 2,90 reais o litro.

Improvisamos sardinhas, macarrão instantâneo, bolachas e ficamos em baixo de um barracão com telhado de zinco, que protegia do sol, mas não do calor insuportável de quase 40 graus. Alguns arriscaram um banho no rio e foi a sorte deles já que não sabíamos o que nos aguardava mais a frente. Ficamos 3 horas e meia parados na estrada esperando a liberação, e já próximo ao horário, a fila de carros começou a aumentar, sinal que nós éramos os desavisados que não sabíamos do fechamento da rodovia.

Voltamos a rodar com o objetivo de chegar a Marcapata, já no início da subida da Cordilheira dos Andes, passamos em Quincemil no anoitecer e fizemos uma pequena parada. Era a cidade mais próspera da região com telefones públicos, e um comércio mais ativo. Depois de dois dias sem comunicação com o mundo, aproveitamos para fazer ligações para as famílias para avisar que estavam todos vivos e bem, também para comer alguma coisa, beber água, etc. Interessante na chegada a Quincemil foi a movimentação, já que a cidade praticamente é um dormitório dos operários que trabalham na construção da rodovia. Na praça da cidade, barraquinhas vendem macarrão com arroz e frango frito, ou churrasquinho de salsichão e carne de porco.  Poucos arriscaram a comida, mas quem o fez ficou muito mais feliz, pois quem esperou chegar em Marcapata, já tarde da noite, para comer alguma coisa, dormiu com fome. A estrada até Marcapata está toda em obras, e havia chovido, então buracos e lama preocupavam, sem contar o fluxo de caminhões e ônibus que é constante. Em certos trechos passam apenas uma carro por vez e se você tiver o azar de cruzar com um caminhão vindo em sentido contrário, muito cuidado, porque eles não param e não cedem a vez, melhor parar e deixá-los passar, é mais seguro.

A estrada está em péssimo estado, devido às obras. Tivemos muita dificuldade para percorrer não mais de 150 quilômetros. Gastamos cerca de 3h e, próximo a Marcapaca, os problemas aumentaram com a neblina forte. Não se via a estrada e a cidade não chegava nunca. Foi um dia exaustivo, chegamos a Marcapata por volta das 10h da noite, tudo praticamente fechado e sem hotel. Conseguimos dividir o pessoal em duas hospedarias um pouco assustadoras, mas esta era a solução para o pernoite, uma vez que era impossível seguir até Cusco devido à chuva e a neblina forte, numa estrada em construção.

Dormitório onde passamos a noite em Marcapata

Foto de dia em Marcapata

Dos 40 graus que passamos durante todo o dia, chegamos ao pé da cordilheira, em Marcapata com frio de uns 10 a 15 graus. Na hospedagem, com frio, banheiro sujo e coletivo, o banho foi adiado para Cusco. Nem a roupa do corpo foi trocada.

As fotos estão aqui.

http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/Peru04e05?feat=directlink

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