Arequipa, Matarani e mais deserto

18 01 2010

Arequipa é uma cidade cheia de surpresas. Logo na chegada, e depois de dias percorrendo pequenas cidades, percebemos que o trânsito era intenso e desorganizado, havia avenidas grandes que desembocavam em pequenas ruelas, deixando tudo num caos. Muitos taxis na cidade deixam o trânsito mais irritante ainda. São pequenos carros, na maioria de cor amarela, modelo Tico, da Daewoo. Mas é melhor andar neles do que arriscar pegar o carro.

Também, pela primeira vez desde que estamos no Peru, percebemos uma maior miscigenação de etnias, fugindo um pouco peruano típico com traços indígenas, as roupas típicas também quase desaparecem das ruas. Estatura mais alta, cor mais clara, o ariquipenhos é um pouco mais cosmopolita. A cidade é rica, tem inúmeros bancos financeiros espalhados por suas ruas centrais e também várias paneterias (padarias). Dizem que os doces de Arequipa são famosos, mas não tivemos tempo de experimentá-los.

Fizemos apenas um passeio rápido pela Plaza de Armas. Notem que na maioria das cidades peruanas existe uma praça de armas. E é neste mesmo local que está um dos pontos turísticos de Arequipa. A praça é bem semelhante à de Cusco.

Há também um lindo prédio que foi transformado em centro comercial, mas que foi construído em 1848 e abrigava uma escola jesuíta. A igreja ao lado do centro comercial também era de encher os olhos. Também fomos até a catedral da cidade.

Como tínhamos um compromisso marcado, uma entrevista às 14h, no porto em Matarani, saímos em seguida e pegamos o rumo do litoral. Deserto, foi tudo que vimos da paisagem na descida até Matarani, que ficava a pouco mais 80 quilômetros de Arequipa. Até ali, já tínhamos percebido o quanto a paisagem era árida, mas como havia muitas montanhas e rochas, não estávamos nos sentindo no deserto. Essa sensação só apareceu logo depois da saída de Arequipa, onde víamos de lado a lado apenas areia. O Sol escaldante aumentava a sensação, já que adiante, no horizonte, a distorção das imagens pelas ondas de calor que levantavam do asfalto davam a impressão que víamos a água. Mas água por ali era artigo de luxo, só engarrafada.

Por mais desértico que seja o local, em alguns assentamentos de colonos, encontramos casas, e plantações. Isso mesmo, plantações irrigadas, nos fazendo crer que, se existem pessoas dispostas a morar num lugar tão seco e sem chuva, e que possam contar com a ajuda do governo para arrumar água, tudo é possível.

A estrada tem suas belezas sim, e mesmo o deserto é atraente, já que as distâncias são curtas entre a cidade de Arequipa e o Oceano Pacífico. Já tínhamos notado em vários lugares, que o lixo é um grande problema. Talvez por não saberem o que fazer com ele, ou de não disporem de um sistema de tratamento eficiente do lixo, a impressão que tivemos é de que todo o lixo das cidades vai parar às margens da estrada. Uma pena em tempos que se discute tanto às questões ecológicas.

Já quase chegando a Matarani e depois de cruzarmos as planícies desérticas, iniciamos um trecho de descida muito forte, cheio de curvas, e novamente montanhas e mais montanhas secas, com imensas ranhuras e falhas geológicas. Tudo seco. A uns 15 quilômetros de Matarani, vimos pela primeira vez o Oceano Pacífico. Foi uma alegria ver água depois de tanto deserto. Mas não pensem que a paisagem mudou.

Pelo rádio do carro, e apesar da distância, ouvimos parte do grupo que saíra cedo de Arequipa rumo a Ilo, ter a mesma sensação de êxtase. Nada foi combinado, mas o grupo de Ilo, que percorreu uma distância de mais de 300 quilômetros até lá, também chegou ao Pacífico no mesmo instante.

Fomos direto ao local da entrevista, que era no porto. O porto, aliás, é uma concessão privada. De lá, são exportados para diversos lugares, principalmente minérios como ferro e cobre, além de grãos. Matarani é uma pequena vila de pescadores e a grandiosidade do porto não faz da cidade um lugar melhor, já que todos ali estão de passagem. Mas o porto é moderno, limpo e cheio de regras e segundo seu administrador, eles estão preparados para aumentar sua capacidade de armazenamento e transporte conforme for aumentando a demanda de produtos para serem exportados, principalmente se os brasileiros vierem a utilizar Matarani como porta de saída.

Como Matarani tinha pouco estrutura, optamos em ficar na cidade balneária de Mollendo, a uns 10 quilômetros de onde estávamos.  Cidade de veraneio, preços de veraneio e bastante movimento. Chegamos ao final da tarde, já com o sol se pondo, e pela primeira vez, muitos dos expedicionários molharam seus pés e tomaram banho nas águas um pouco geladas do Pacífico. Dia histórico.

A praia não difere muito de todas as praias com extensa faixa de mar. Tem bastante areia, um pouco escura, e claro, alguma farofada. Felizes por ter chegado ao Pacífico, ainda fomos brindados com um belo por de sol. Coisa de cinema.

Fotos no : http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/140110ArequipaMatarani?feat=directlink

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19 01 2010
juremapontes

Cadê as fotos do Ruy?????????????????????????????????kkkkkkkkkkkkkk

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