Do verde e abundante vale para o deserto peruano

18 01 2010

Talvez ninguém da expedição, exceto Carlos, um dos coordenadores do projeto da Expedição Interoceânica  e que é peruano, sabia que passando os verdejantes, gelados e montanhosos caminhos  da Carretera Sur, como é chamada a estrada Interoceânica, nas proximidades da Cordilheira dos Andes, passaríamos depois para o seco, quente e pesado deserto peruano.

Saímos de Puno, no dia 13 de janeiro de 2010, para chegar até a cidade de Arequipa, mais para sudoeste de onde estávamos, e já no caminho para o litoral peruano. Para isso, ainda tivemos que fazer parte do percurso até a cidade de Juliaca. Dali pegamos novamente a Interocêanica em direção a Arequipa.

Belíssimas paisagens nos esperavam no meio desse caminho, que começou a 3.824 metros de altitude e chegaria aos 2.300m de Arequipa. Mas antes disso, subiríamos novamente a cerca de 4.300 metros. A distância entre Juliaca e Arequipa era de pouco mais de 270 quilômetros, mas a quantidade de curvas e subida eleva a viagem para 5h ou 6h.

A primeira parte da viagem mostrava uma paisagem com montanhas, vales, criação de gado, ovelhas e lhamas. O verde das gramíneas, mesmo que queimado pelo frio seco e gelado da região predominavam. A estrada de ferro praticamente acompanhava rodovia, mas desta vez não vimos nenhum trem. Também os cachorros (perros) ovelheiros fazem parte da paisagem. Eles se postam na estrada como se guardassem o lugar, e , sentados ou deitados no acostamento da rodovia, ficam esperando.

Começamos a subir novamente a cordilheira e a cada paisagem a surpresa pelas belezas da região nos saltavam aos olhos. Bem no alto, num mirante onde comerciantes camponeses vendiam seus produtos ( mantas, casacos, tapetes, luvas, bonés, cachecóis) paramos para fotos, com uma bela laguna ao fundo. Vista deslumbrante e gelada.

A partir do mirante iniciamos parte da descida em direção a Arequipa, e de uma hora para outra, a paisagem mudou completamente. Dos campos verdes, com animais e plantações, nos deparamos com o deserto. Não imaginávamos, mas as pequenas pedras de granizo que caíram naquele momentos, seriam as últimas que veríamos nos próximos dias, ou pelo menos até o caminho de volta pra casa.

Nada e nada dos dois lados da rodovia. Terra seca e sem vida. Para se ter uma idéia de como a região é árida, o índice pluviométrico de Arequipa é de 3 cm de chuva por ano. Isso mesmo, 3 cm.

O solo é calcário é segundo os entendidos no assunto a região toda era mar. Numa das nossas paradas na estrada para usar o baño (banheiro), foi possível confirmar rapidamente a versão. Pois localizamos conchas de marisco no solo.  Paramos num vilarejo bastante movimentado e rota de parada de ônibus e caminhões. Pedimos para usar o banheiro num posto policial e rapidamente o policial nos acompanhou até o fundo da comissária e disse que podíamos urinar ali mesmo nos fundo, a céu aberto. Foi o que a maioria fez, aliviando-se como podia.

Já quase na chegada a Arequipa, nos deparamos com um gigantesco assentamento no meio do deserto. O nome do lugar era Ciudad de Dios, ou seja Cidade de Deus. Bastante semelhante a nossa versão brasileira na baixada fluminense. Alguns sugeriram semelhança com a Faixa de Gaza conforme já vimos em diversas imagens de tevê . E na verdade não tava muito longe disso.

Arequipa é considerada a segunda maior cidade do Peru, tem mais de um 1 milhão de habitantes e seu centro é considerado patrimônio histórico mundial. Recebemos muitas recomendações para termos cuidados com nossos pertences, principalmente para não deixar o carro estacionado em qualquer lugar, devido aos assaltos e roubos freqüentes. Chegamos no início da noite e fomos direto ao centro para encontrar uma garagem e depois procurar hotel.

Arequipa não estava no nosso roteiro de viagens, era apenas como lugar de passagem, e por isso não tivemos tempo de apreciar as belezas dessa cidade maravilhosa. Partimos no dia seguinte por volta das 11h da manhã rumo a Matarani, embora parte da caravana da expedição tenha se dividido para ir a Ilo, um porto bem ao Sul do Peru, para cumprir a programação do Projeto da Interoceânica.

Arequipa é conhecida como Cidade Branca, por ter diversas construções antigas com pedras brancas ( de origem vulcânica). Localiza-se no sul do país, a 2300 metros de altitude é praticamente um oásis gigante num vale das montanhas da Cordilheira dos Andes, e no meio do deserto. Está rodeada de diversos picos, entre eles alguns pequenos vulcões já extintos.

A cidade foi fundada por espanhóis e sua catedral, a Igreja de La Compañia foi elevada a condição de basílica pelo Papa Pio XVII. Sua principal característica é a arquitetura colonial.

Foto no http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/130110PunoArequipa?feat=email#



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