Dois dias sem banho e um vôo sobre Nazca

19 01 2010

Dois dias sem banho e um vôo sobre Nazca

Repetimos neste sábado, dia 16 de janeiro de 2010, o acampamento a beira-mar, só que desta vez a dormida foi numa Reserva Nacional de Paracas, próximo a cidade de Paracas, a uns 250 quilômetros mais a frente  de onde estávamos na noite anterior, e cerca de 130 quilômetros da cidade de Nazca. Não precisa ser dito que pelo segundo dia consecutivo o banho foi esquecido.

Partimos de manhã de Las Lomas, depois de tomar café da manhã olhando o mar e uma porção de pelicanos que se amontoavam em algumas pedras a poucos metros da praia. O pelicano é grande, desengonçando, e com um vôo bem semelhante ao do Cesna que pegamos em Nasca para avistar as famosas linhas desenhadas há séculos no deserto peruano.

Criados pelo povo de Nasca entre os séculos III a.C e VIII, estes geóglifos representam centenas de figuras, incluindo imagens estilizadas de animais como macacos, beija-flores ou lagartos. O curioso é que, de tão extensas que são as figuras, elas não são perceptíveis do solo, mas apenas por vistas aéreas, dando margens a cogitação das razões pelas quais foram feitas e dos efeitos que puderam causar, já que aquela civilização não possuía aeroplanos.

Nosso objetivo era chegar a Nasca para fazer o vôo de observação, mas antes disso tínhamos um compromisso que fazia parte da expedição, que era justamente fazer imagens de mais um porto da Rodovia Interoceânica, em San Juan.

O porto é basicamente um porto pesqueiro, mas existe uma grande empresa chinesa explorando minérios na mesma região e com um porto particular para as exportações dos mesmos para Ásia. Não tivemos autorização para entrar no porto da empresa estrangeira, mas conseguimos conversar com o administrador do porto pesqueiro, que falou das suas expectativas com a estrada e a oportunidade de novos negócios.

Depois do compromisso com a “carretera”, seguimos rumo a Nazca. A cidade é até grande, já que se localiza no meio do deserto, tem um aeroporto as margens da rodovia e que é explorado por diversas empresas que trabalham com pequenos aviões, a maioria do modelo Cesna e onde muitos estrangeiros deixam seus dólares para conhecer as tais linhas desenhadas no deserto. Apesar das informações que tínhamos sobre a cidade não ter nada e ser um pouco perigosa em função de assaltos, Nazca não pareceu ser tão faroeste, embora numa volta rápida pelo centro da cidade tenhamos encontrado diversas lojas abertas mas com grades nas portas para fazer atendimento. No meio do deserto, uma coisa é inegável, o calor é insuportável.

Almoçamos em um restaurante no centro da cidade antes de seguir até o aeroporto para fazer o vôo de observação.

Nas informações contraditórias, nos disseram que apenas era possível fazer um vôo fechando um pacote com as empresas que atuam fora do aeroporto. No fim descobrimos que lá dentro mesmo do aeroporto era possível. A questão toda é que devem ser grupos fechados de no mínimo cinco pessoas. Cada um pagou 45 dólares pelo vôo, e como o pagamento foi no cartão de crédito ainda mais 6% de taxa do cartão, o que deu 48 dólares. Nas despesas ainda faltava a taxa de embarque do aeroporto que era de 20 soles por pessoa. Do grupo de expedicionários, 10 se aventuraram no avião, os outros cinco (Leo, Carlos, Leane, Isadora e Peter) optaram por seguir até Paracas para adiantar o acampamento do dia, que novamente seria a beira-mar, numa reserva ecológica. Paracas ficava a uns 150 quilômetros mais à frente rumo a Lima.

Para os expedicionários de estômago forte, o passeio do Cesna foi divertido, embora a maioria tenha dito que não conseguir ver direito todos os desenhos mostrados pelo piloto, a cada inclinação de asa que ele fazia. No meu caso (Claudia) e de mais uma expedicionária (Synthia), o que mais vimos no vôo de pouco mais de 30 minutos, foi o saquinho de enjôo socado no meio da cara para aliviar o almoço recém mastigado. E nem dava pra pedir pra descer. Um verdadeiro filme de horror. O calor dentro do pequeno avião contribui para o bem mal-estar, mas foram principalmente as manobras e solavancos do avião que fizeram o estrago maior. Em suma, foi a vomitada mais cara de nossas vidas.

Em terra novamente, todos os voadores com estômago e os que esvaziaram no meio do caminho, seguiram viagem até Paracas. Chegamos à tal Reserva Ecológica à noite e sedentos por um banho. Infelizmente, depois de montar barracas dentro das acomodações de um restaurante, claro que com autorização do proprietário, descobrimos que não havia água para o sonhado banho. Resignados, alguns dormiram sem banho pelo segundo dia consecutivo. As mulheres, sempre mais atentas às questões de higiene ainda conseguiram negociar com o  rapaz que cuidava do lugar, uma garrafinha de água de 250ml para se lavar. Uma missão impossível, mas pode ter certeza que algumas conseguiram se lavar e ainda deixar uma aguinha de reserva para qualquer e emergência. Acampar sem água é o caos. Mas foi divertido embora não tenha sido muito cheiroso.

A reserva tem uma meia de dúzia de bares que funcionam durante o dia, localizados numa das pontas da península. Dali também saem os barcos de pesca todos os dias. Lugar árido e sem água, a não ser a do mar, mas bonito. Belezas que só pudemos apreciar no dia seguinte, ao amanhecer, já que havíamos chegado com noite fechada ao local.

Fotos: http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/160110Nasca?feat=directlink

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One response

20 01 2010
janaina ganassin

As informações do blog são muito úteis para quem quiser conhecer melhor nossos vizinhos Peru e Bolívia;

Parabéns e sucesso a todos!!!!

Pá,estamos com saudades

Jana,Eduardo e Monica

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