Arequipa, Matarani e mais deserto

18 01 2010

Arequipa é uma cidade cheia de surpresas. Logo na chegada, e depois de dias percorrendo pequenas cidades, percebemos que o trânsito era intenso e desorganizado, havia avenidas grandes que desembocavam em pequenas ruelas, deixando tudo num caos. Muitos taxis na cidade deixam o trânsito mais irritante ainda. São pequenos carros, na maioria de cor amarela, modelo Tico, da Daewoo. Mas é melhor andar neles do que arriscar pegar o carro.

Também, pela primeira vez desde que estamos no Peru, percebemos uma maior miscigenação de etnias, fugindo um pouco peruano típico com traços indígenas, as roupas típicas também quase desaparecem das ruas. Estatura mais alta, cor mais clara, o ariquipenhos é um pouco mais cosmopolita. A cidade é rica, tem inúmeros bancos financeiros espalhados por suas ruas centrais e também várias paneterias (padarias). Dizem que os doces de Arequipa são famosos, mas não tivemos tempo de experimentá-los.

Fizemos apenas um passeio rápido pela Plaza de Armas. Notem que na maioria das cidades peruanas existe uma praça de armas. E é neste mesmo local que está um dos pontos turísticos de Arequipa. A praça é bem semelhante à de Cusco.

Há também um lindo prédio que foi transformado em centro comercial, mas que foi construído em 1848 e abrigava uma escola jesuíta. A igreja ao lado do centro comercial também era de encher os olhos. Também fomos até a catedral da cidade.

Como tínhamos um compromisso marcado, uma entrevista às 14h, no porto em Matarani, saímos em seguida e pegamos o rumo do litoral. Deserto, foi tudo que vimos da paisagem na descida até Matarani, que ficava a pouco mais 80 quilômetros de Arequipa. Até ali, já tínhamos percebido o quanto a paisagem era árida, mas como havia muitas montanhas e rochas, não estávamos nos sentindo no deserto. Essa sensação só apareceu logo depois da saída de Arequipa, onde víamos de lado a lado apenas areia. O Sol escaldante aumentava a sensação, já que adiante, no horizonte, a distorção das imagens pelas ondas de calor que levantavam do asfalto davam a impressão que víamos a água. Mas água por ali era artigo de luxo, só engarrafada.

Por mais desértico que seja o local, em alguns assentamentos de colonos, encontramos casas, e plantações. Isso mesmo, plantações irrigadas, nos fazendo crer que, se existem pessoas dispostas a morar num lugar tão seco e sem chuva, e que possam contar com a ajuda do governo para arrumar água, tudo é possível.

A estrada tem suas belezas sim, e mesmo o deserto é atraente, já que as distâncias são curtas entre a cidade de Arequipa e o Oceano Pacífico. Já tínhamos notado em vários lugares, que o lixo é um grande problema. Talvez por não saberem o que fazer com ele, ou de não disporem de um sistema de tratamento eficiente do lixo, a impressão que tivemos é de que todo o lixo das cidades vai parar às margens da estrada. Uma pena em tempos que se discute tanto às questões ecológicas.

Já quase chegando a Matarani e depois de cruzarmos as planícies desérticas, iniciamos um trecho de descida muito forte, cheio de curvas, e novamente montanhas e mais montanhas secas, com imensas ranhuras e falhas geológicas. Tudo seco. A uns 15 quilômetros de Matarani, vimos pela primeira vez o Oceano Pacífico. Foi uma alegria ver água depois de tanto deserto. Mas não pensem que a paisagem mudou.

Pelo rádio do carro, e apesar da distância, ouvimos parte do grupo que saíra cedo de Arequipa rumo a Ilo, ter a mesma sensação de êxtase. Nada foi combinado, mas o grupo de Ilo, que percorreu uma distância de mais de 300 quilômetros até lá, também chegou ao Pacífico no mesmo instante.

Fomos direto ao local da entrevista, que era no porto. O porto, aliás, é uma concessão privada. De lá, são exportados para diversos lugares, principalmente minérios como ferro e cobre, além de grãos. Matarani é uma pequena vila de pescadores e a grandiosidade do porto não faz da cidade um lugar melhor, já que todos ali estão de passagem. Mas o porto é moderno, limpo e cheio de regras e segundo seu administrador, eles estão preparados para aumentar sua capacidade de armazenamento e transporte conforme for aumentando a demanda de produtos para serem exportados, principalmente se os brasileiros vierem a utilizar Matarani como porta de saída.

Como Matarani tinha pouco estrutura, optamos em ficar na cidade balneária de Mollendo, a uns 10 quilômetros de onde estávamos.  Cidade de veraneio, preços de veraneio e bastante movimento. Chegamos ao final da tarde, já com o sol se pondo, e pela primeira vez, muitos dos expedicionários molharam seus pés e tomaram banho nas águas um pouco geladas do Pacífico. Dia histórico.

A praia não difere muito de todas as praias com extensa faixa de mar. Tem bastante areia, um pouco escura, e claro, alguma farofada. Felizes por ter chegado ao Pacífico, ainda fomos brindados com um belo por de sol. Coisa de cinema.

Fotos no : http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/140110ArequipaMatarani?feat=directlink





Do verde e abundante vale para o deserto peruano

18 01 2010

Talvez ninguém da expedição, exceto Carlos, um dos coordenadores do projeto da Expedição Interoceânica  e que é peruano, sabia que passando os verdejantes, gelados e montanhosos caminhos  da Carretera Sur, como é chamada a estrada Interoceânica, nas proximidades da Cordilheira dos Andes, passaríamos depois para o seco, quente e pesado deserto peruano.

Saímos de Puno, no dia 13 de janeiro de 2010, para chegar até a cidade de Arequipa, mais para sudoeste de onde estávamos, e já no caminho para o litoral peruano. Para isso, ainda tivemos que fazer parte do percurso até a cidade de Juliaca. Dali pegamos novamente a Interocêanica em direção a Arequipa.

Belíssimas paisagens nos esperavam no meio desse caminho, que começou a 3.824 metros de altitude e chegaria aos 2.300m de Arequipa. Mas antes disso, subiríamos novamente a cerca de 4.300 metros. A distância entre Juliaca e Arequipa era de pouco mais de 270 quilômetros, mas a quantidade de curvas e subida eleva a viagem para 5h ou 6h.

A primeira parte da viagem mostrava uma paisagem com montanhas, vales, criação de gado, ovelhas e lhamas. O verde das gramíneas, mesmo que queimado pelo frio seco e gelado da região predominavam. A estrada de ferro praticamente acompanhava rodovia, mas desta vez não vimos nenhum trem. Também os cachorros (perros) ovelheiros fazem parte da paisagem. Eles se postam na estrada como se guardassem o lugar, e , sentados ou deitados no acostamento da rodovia, ficam esperando.

Começamos a subir novamente a cordilheira e a cada paisagem a surpresa pelas belezas da região nos saltavam aos olhos. Bem no alto, num mirante onde comerciantes camponeses vendiam seus produtos ( mantas, casacos, tapetes, luvas, bonés, cachecóis) paramos para fotos, com uma bela laguna ao fundo. Vista deslumbrante e gelada.

A partir do mirante iniciamos parte da descida em direção a Arequipa, e de uma hora para outra, a paisagem mudou completamente. Dos campos verdes, com animais e plantações, nos deparamos com o deserto. Não imaginávamos, mas as pequenas pedras de granizo que caíram naquele momentos, seriam as últimas que veríamos nos próximos dias, ou pelo menos até o caminho de volta pra casa.

Nada e nada dos dois lados da rodovia. Terra seca e sem vida. Para se ter uma idéia de como a região é árida, o índice pluviométrico de Arequipa é de 3 cm de chuva por ano. Isso mesmo, 3 cm.

O solo é calcário é segundo os entendidos no assunto a região toda era mar. Numa das nossas paradas na estrada para usar o baño (banheiro), foi possível confirmar rapidamente a versão. Pois localizamos conchas de marisco no solo.  Paramos num vilarejo bastante movimentado e rota de parada de ônibus e caminhões. Pedimos para usar o banheiro num posto policial e rapidamente o policial nos acompanhou até o fundo da comissária e disse que podíamos urinar ali mesmo nos fundo, a céu aberto. Foi o que a maioria fez, aliviando-se como podia.

Já quase na chegada a Arequipa, nos deparamos com um gigantesco assentamento no meio do deserto. O nome do lugar era Ciudad de Dios, ou seja Cidade de Deus. Bastante semelhante a nossa versão brasileira na baixada fluminense. Alguns sugeriram semelhança com a Faixa de Gaza conforme já vimos em diversas imagens de tevê . E na verdade não tava muito longe disso.

Arequipa é considerada a segunda maior cidade do Peru, tem mais de um 1 milhão de habitantes e seu centro é considerado patrimônio histórico mundial. Recebemos muitas recomendações para termos cuidados com nossos pertences, principalmente para não deixar o carro estacionado em qualquer lugar, devido aos assaltos e roubos freqüentes. Chegamos no início da noite e fomos direto ao centro para encontrar uma garagem e depois procurar hotel.

Arequipa não estava no nosso roteiro de viagens, era apenas como lugar de passagem, e por isso não tivemos tempo de apreciar as belezas dessa cidade maravilhosa. Partimos no dia seguinte por volta das 11h da manhã rumo a Matarani, embora parte da caravana da expedição tenha se dividido para ir a Ilo, um porto bem ao Sul do Peru, para cumprir a programação do Projeto da Interoceânica.

Arequipa é conhecida como Cidade Branca, por ter diversas construções antigas com pedras brancas ( de origem vulcânica). Localiza-se no sul do país, a 2300 metros de altitude é praticamente um oásis gigante num vale das montanhas da Cordilheira dos Andes, e no meio do deserto. Está rodeada de diversos picos, entre eles alguns pequenos vulcões já extintos.

A cidade foi fundada por espanhóis e sua catedral, a Igreja de La Compañia foi elevada a condição de basílica pelo Papa Pio XVII. Sua principal característica é a arquitetura colonial.

Foto no http://picasaweb.google.com/expedicaointeroceanica/130110PunoArequipa?feat=email#







Uma visita rápida a cidade de Copacabana e ao Lago Titicaca na Bolívia

18 01 2010

Na manhã do dia 12 de janeiro de 2010, o objetivo da Expedição Interoceânica era apenas fazer um passeio turístico pelo Lago Titicaca, mas do lado boliviano, na cidade de Copacabana, uma das principais cidades turísticas do lago.

O Lago Titicaca para se ter uma idéia foi o berço da civilização Inca. Localizado a 3.811 metros acima do nível do mar, na fronteira entre o Peru e a Bolívia, é o lago navegável mais alto do mundo e abriga 41 ilhas.

O lago tem 175 km de comprimento e 50 km de largura, com uma profundidade máxima de 300 metros. A fauna encontrada no lago é muito variada, mas o principal petisco são as trutas. No lado peruano do lago as principais ilhas são a Ilha de Taquile e Ilha de Amantani.

Como o lago também integra território boliviano é possível vista-lo também pela Bolívia, e neste país, as Ilha do Sol e a Ilha da Lua são as mais visitadas. A principal atração da região é a ilha flutuante de Uros, ocupada por descendentes dos Uros, considerada uma das mais antigas civilizações da América (se recomenda visitar a Ilha dos Uros pelo lado peruano de Puno, é muito melhor). A principal porta de entrada para o Lago Titicaca é a cidade peruana de Puno, já no lado boliviano, a porta de visitação do Lago é Copacabana.

De Yunguio pegamos um moto-taxi por 2,5 soles para chegar até a fronteira do Peru com a Bolívia, que fica a pouco mais de 3 km. Marinheiros de primeira viagem, alguns esqueceram os documentos necessários para passar pela aduana, então tiveram que fazer novamente o percurso até o hotel para buscá-los. De passaporte na mão e o papel da imigração, fizemos nossa saída do Peru e demos entrada no Bolívia.  O funcionário que nos atendeu na aduana boliviana, disse que gostaria muito de aprender a falar português, e nos atendeu sorrindo, bem diferente dos peruanos que pareciam estar nos fazendo um tremendo esforço e um grande favor ao verificar passaportes e documentos.

Os bolivianos diferem muito pouco dos peruanos, por conta que fazem parte de um mesmo povo. o Aymara. o que chamou a atenção em Copacabana foram as barracas vendo choclo. Sacos gigantescos de choclo, que pra nós brasileiros nada mais é do que pipoca doce de canjica. Mas as pipocas são gigantescas. Eles também têm pipoca de macarrão, e caramelos. Depois de uma rápida vistoria pelas barracas de choclo e petiscos, fomos em direção ao lago, que fica numa descida da praça. Como ainda era cedo, não tínhamos muito a noção do movimento pela cidade.

No lado boliviano do Lago Titicaca saem barcos a todo instante para conhecer as diversas ilhas um passeio completo custa por pessoa algo em torno de 20 a 30 soles, ou quase o dobro disso em moeda boliviana, que vale quase a metade dos soles peruanos. Como o passeio era longo ( mais de cinco horas passando por cinco ilhas) optamos por uma versão light, só para conhecer as ilhas flutuantes, que eram as  próximas. Contratamos um barco por 150 soles e fomos passear. O trajeto até a Ilha flutuante levou pouco mais de 20 minutos.

Chegamos a uma das ilhas flutuantes e um dos seus “moradores” já nos recebeu dizendo que para descer lá era necessário pagar 2 soles por pessoas. A tal ilha flutuante nos deixou em dúvida se aquele realmente era um lugar onde aquelas pessoas viviam ou uma armação pra turista por isso é melhor visitar pelo lado peruano, onde realmente moram os habitantes dos Uros. A Ilha era tinha um suporte de madeira e forrada com palhas de totora, uma espécie de junco, muito flutuante. A Ilha era quadrada, tinha aproximadamente 10m x 10m de extensão e abrigava uma família. A atração ali eram dois tanques de trutas onde os “moradores”, capturavam um peixe com a pequena rede e preparavam na hora uma truta frita com papas (batata frita), arroz e salada. Tudo por 20 bolivianos. Uma cerveja saiu por 10 soles bolivianos. Fizemos uma boquinha por ali mesmo, algumas fotos do tanque de trutas e voltamos para a margem do lago, em Copacabana.

Foi na chegada que tivemos dimensão do movimento da cidade, com enormes filas entre o cais, para os tais passeios de barco pelas ilhas. Achamos muitos brasileiros e argentinos por lá, mas também muito europeu. Predominam os mochileiros e principalmente os hippies Na descida do barco encontramos alguns carros estacionados na beira da areia, todos enfeitados com flores, a curiosidade nos levou a saber de um ritual boliviano muito comum em Copacabana. Uma benção para os felizes proprietários de carros novos ou não tão novos assim, mas recém comprados.

Em frente a igreja de Nossa Senhora de Copacabana, padroeira dos bolivianos, e onde se encontra uma das imagens mais cultuadas da Virgem Maria, uma espécie de benzedeiras fazem uma defumação nos carros, como se eles tivessem sendo batizados. Os donos enfeitam com flores e outros penduricalhos e depois comemoram. Essa cerimônia ritual é realizada todos os sábados. Tivemos sorte.

No santuário de Nossa Senhora de Copacabana ficamos impressionados com a igreja e principalmente o altar esculpido com muito ouro em volta. Por isso, era proibido fazer fotos dentro da igreja.

Terminado nosso passeios por Copacabana e depois de um almoço regado a truta, voltamos para o Peru.

De volta á pacata cidade de Yunguio, pegamos os carros e seguimos a Puno, onde passaríamos a noite, para no dia seguinte seguir até Arequipa, aí sim, chegando mais próximo do litoral peruano. Puno é uma cidade grande, barulhenta e desorganizada no trânsito.







De Cusco a Puno, mais a sudeste do Peru, a paisagem muda

15 01 2010

No dia 11 de janeiro de 2010, segunda-feira, partimos da cidade de Cusco, onde ficamos durante quatro dias, para ir em direção a Puno, mais a sudeste do Peru. A cidade fica às margens do famoso Lago Titicaca, o lago mais alto do mundo, que fica a cerca de 3.800m de altitude a que tem uma extensão de mais de 8.300 quilômetros quadrados.

Saímos de Cusco por volta de 8h da manhã e teríamos pela frente aproximadamente 460 quilômetros. Este trecho da estrada não faz parte da Rodovia Interoceânica, pela qual estamos percorrendo o Peru e fazendo um documentário, contudo, além da curiosidade de conhecer o Lago Titicaca, ainda seríamos obrigados, de qualquer forma, a descer até Juliaca, onde um outro trecho da Interocênica estava mapeado por nós, com a ida até Arequipa, já em direção ao litoral do Pacífico. Juliaca fica no meio de caminho entre Cusco e Puno.

Já nos primeiros quilômetros percorridos pela estrada até Puno foi possível perceber uma mudança da paisagem. Com uma grande cadeia de montanhas da Cordilheria dos Andes nos acompanhando pelo lado esquerdo da rodovia, e onde a neve estava presente em alguns picos. A vegetação mostrava -se queimada pelo degelo. Vimos inúmeras plantações ao longo da estrada o que nos fez acreditar que, bem diferente das paisagens anteriores, onde predominava a agricultura de subsistência e o pastoreio, agora a agricultura tinha fins mais comerciais. Nesta região, as plantações são mais extensas e já é perceptível uma mudança econômica com casas mais bem planejadas e maiores, contudo, a impressão que fica é de que em boa parte do Peru as casas nunca são terminadas de fato, poucas recebem reboco ou pintura e o que predomina são os tijolos a vista, sejam os fabricados sejam os feitos artesanalmente com barro. Também se vê muita casa abandonada em ruínas ou apenas terrenos demarcados por muros de pedras sem nenhuma construção.

Apesar das inúmeras variedades de plantações pelas quais passamos, o que predomina mesmo são o milho, batata, orégano e manzanilla (camomila) pra chás. A agricultura ainda é familiar, mas você vê mais gente trabalhando.  Homens, mulheres e crianças aparecem de enxada na mão. Também diminuem as criações de lhama e da alpaca e aparecem com mais freqüência as ovelhas, vacas, porcos e galinhas. Um fato bastante pitoresco também nos chamou a atenção pelas margens da estrada. A quantidade cachorros. Na verdade não é só nesta região que existem cachorros. Em todo o Peru e em qualquer cidade que se passe, eles estão por todos os lados.  O engraçado é que na estrada, esses cachorros, parecidos com ovelheiros, estão lá, deitados no acostamento da rodovia como se estivessem esperando seus donos chegar de algum lugar.

Saímos de Cusco com um clima relativamente frio e ao longo do caminho o tempo foi ficando cada vez mais frio. Mas havia sol. Próximo a uma estação de águas termais, que também fica a beira da estrada, tivemos a sorte de viajar lado a lado com um trem, provavelmente que fazia linha Cusco- Puno.  As fotos ficaram muito interessantes.

Antes de chegar a Juliaca, fomos brindados com uma chuva de granizo. Para nós ela não chegou muito forte, mas num vilarejo às margens da estrada demoramos a reconhecer a paisagem branca que se estendia ao longo de alguns quilômetros. Choveu muito granizo pouco antes e o chão e as casas estavam cobertos de branco. Em seguida fomos obrigados a uma parada extra por causa de um pneu furado de um dos carros da expedição. Mesmo com duas estepes para fazer a troca, os rapazes da expedição, muito bem preparados, tinham remendos à mão e depois de achar o prego no pneu fizeram o conserto sem tirar, roda, macaco ou chave.

Paramos para almoçar em Juliaaca, numa polleria,  e lá tomamos caldo de galinha e depois o prato da casa, pollo com papas fritas e ensalada (frango, batatas fritas e salada).

Seguimos até Puno por uma estrada um pouco esburacada e chegamos à cidade já no final da tarde e com chuva. Os raios rasgavam o céu no horizonte.  Na parada para o almoço em Juliaca, fizemos uma pequena mudança de planos e trocamos o pernoite de Puno por uma cidade chamada Yunguyo, que faz fronteira com a Bolívia, também às margens do Lago Titicaca, uns 100 quilômetros mais pra frente de Puno. Como a fronteira fecha às 20h, dormiríamos em Yunguio e no outro dia partiríamos em direção a fronteira da Bolívia para conhecer Copacabana ( cidade boliviana que recebe muitos turistas e mochileiros que vão visitar o Titicaca). Dormimos na hostal (hospedaria) da Isabel em Yunguio.

http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/CuscoPuno110110?feat=directlink





O monte sagrado de Machu Picchu

14 01 2010

No domingo, dia 10 de janeiros de 2010, a programação dos integrantes da Expedição Interoceânica era conhecer Machu Picchu. Patrimônio mundial da Unesco e considerado umas das sete maravilhas do mundo, esse é o principal ponto turístico do Peru e da região de Cusco, um dos lugares mais visitados pelos turistas e curiosos, estudiosos, místicos, entre outras pessoas comuns.

Para cumprir a programação acordamos pro volta das 3h30 da madrugada e seguimos numa van contratada até Ollantaytambo, no distrito de Urubamba, no Vale Sagrado. Para levar as 15 pessoas da expedição na van gastamos um total de 260 soles, muito mais barato que ir de carro até lá. A ida até Ollantaytambo, onde pegaríamos o trem até Águas Calientes, é fantástica ao amanhecer, com vistas para o vale e inúmeras plantações agrícolas e também para as montanhas nevadas com um sol tímido surgindo no horizonte. Esse percurso de 130 km levou cerca de 2h, devido às grandes elevações e curvas da estrada.

A empressa de Trem Inka Rail teve a gentileza de nos apoiar com 5 passagens e um desconto para os demais bilhetes.  A locomotiva partiria às 6h40 da manhã, era um vagão executivo. O preço da passagem no vagão executivo era de 36 dólares a ida e mesmo valor de volta, ou seja 72 dólares.

A viagem de trem é também um espetáculo aos olhos, principalmente pela paisagem das grandes montanhas de pedras em ambos os lados dos trilhos. Nos picos mais altos se avista a neve tão próximo que dá vontade de parar e subir para trocá-la. O trem executivo tem serviço de bordo, e fomos  brindados  com um variação de biscoitos salgados de orégano ou pimenta e ainda biscoitos doces, onde os de nozes ganharam a preferência de todos. A viagem de trem durou pouco mais de 1h30 até Águas Calientes.

Como todos os lugares que vivem do turismo, Águas Calientes e mesmo o Park de Machu Picchu são lugares lindos, mas que cobram bem caro dos turistas. O trem que leva os moradores deÁguas Calientes e cidadãos peruanos,  claro que num vagão mais simples e econômico, custa apenas 10 soles. Há pouco mais de dois anos foi construída uma nova estação de trem em Águas Calientes só para os turistas, com sala de espera e banheiros, tudo bastante confortável.

Em Águas Calientes, ainda é necessário contratar um dos muitos ônibus para chegar até a entrada do parque arqueologico, contudo, os mais atléticos podem encarar uma caminhada de pouco mais de 1h30 até lá. São muitos degraus a subir. O ônibus custa 7 dólares percurso de ida e igual valor para volta. Muita gente opta em comprar passagem do ônibus para a subida e depois descer o percurso de volta a pé.  Além do ônibus ainda é necessário comprar o ingresso de entrada no parque, que custa para os turistas comuns 126,00 soles.  Dica: o onibus aceita pagamento em soles e dólares, contudo o ingresso no parque só é vendido em soles.

A ansiedade em entrar no parque tomou conta dos expedicionários, mas como buscávamos uma autorização local para fazer imagens, esperando mais de uma hora para entrar. A autorização não veio, e tempo foi se fechando com grossas nuvens de chuva se aproximando.  Do grupo, alguns entraram antes para tentar garantir algum material fotográfico, era o jeito já que ameaçava fechar o tempo em breve.

Machu Picchu é um lugar mágico, quase inacreditável.  Segundo a Wikipédia, as montanhas Machu Picchu e Huayna Picchu são parte de uma grande formação orográfica conhecida como Batolito de Vilcabamba, na Cordilheira Central dos Andes peruanos. Encontram-se na margem esquerda do chamado Canyon do Urubamba, conhecido antigamente como Quebrada de Picchu. Ao pé dos montes e praticamente rodeando-os, corre o rio Urubamba (Vilcanota). As ruínas incas encontram-se a meio caminho entre os picos das duas montanha, a 450 metros acima do nível do vale e a 2.438 metros acima do nível do mar. A superfície edificada tem aproximadamente 530 metros de comprimento por 200 de largura e contém 172 edifícios em sua área urbana.

Em quíchua Machu Pikchu, “velha montanha”, também chamada “cidade perdida dos Incas, é uma cidade pré-colombiana bem conservada. Foi construída no século XV sob as ordens de Pachacuti (nono governante do império Inca e seu primeiro imperador). O local é, provavelmente, o símbolo mais típico dos incas, principalmente por sua localização geológica no meio de diversas montanhas. As ruínas só foram descobertas em 1911. Por Hiram Bingam, professor da Universidad de Yale (EUA), universidade que tem um conflito com o governo peruano por conta que o americano na época, apropiou-se de centenas de peças incaicas que nunca foram devolvidas ao país. As áreas reconstruídas são facilmente reconhecidas, pelo encaixe entre as pedras. A construção original é formada por pedras maiores, e com encaixes com pouco espaço entre as rochas.

Terminado o passeio pelos montes sagrados, ficam algumas observações sobre esse maravilhoso local que recebe mais de 1 milhão de visitantes por ano. No parque é proibido portar alimentos e garrafas com água, o que é bom para a preservação da limpeza do lugar. Além disso, é impossível passar horas subindo e descendo pedras sem ter água e algum alimento ao alcance.

Com a chuva nos pegando no meio da visita aos pouco tivemos que abandonar a visitação, já que as nuvens cobriram boa parte das ruínas e a visão ficou limitada. Na saída do parque, sem um local para ficar, o jeito foi pegar o ônibus de voltar para Águas Calientes, já que existe apenas um pequeno bar e um restaurante funcionando na entrada do parque e cobrando praticamente em euros, devido ao valor de seus produtos. Uma garrafa de água não saía por menos de 8 soles e um refrigerante 13. O hambúrguer, alimento mais barato do lugar, custava na faixa dos 25 soles. Para sentar depois da caminhada, descansar depois da longa caminhada e fazer uma boquinha, somente era possível para aqueles que consumissem algo no bar. Por isso, sem um lugar coberto para ficar e com banheiro a 1 soles a cada entrada o jeito foi descer para a cidade.

Todos os expedicionários saíram de Machu Picchu extasiados com a beleza do local.

O retorno foi por volta das 19h com a viagem de trem até Ollantaytambo, e depois mais duas horas de van até Cusco. Dia muito cansativo, mas inesquecível.

Fotos no link: http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/MachuPicchu100110?feat=directlink





07 e 08-01-2010 Finalmente dias de turista em Cusco

8 01 2010

Depois de uma jornada de mais de 4 mil quilômetros percorrendo a Rodovia Interoceânica estamos na cidade de Cusco, considerada a capital histórica do Peru. Numa cidade “grande” é possível se ter uma visão um pouco mais clara do país, pois até agora o que prevalecia era a vida de pessoas humildes com pouca estrutura e muito pobres.

Mulheres com seus trajes típicos

Mulheres ficam pelas ruas e cobram "propina" para tirar fotos

Cusco é uma cidade de contrastes também. Na chegada da cidade, a primeira impressão é de uma cidade igualmente pobre, com uma periferia cheia de casas e comércio de pequeno porte. Tudo muda ao se chegar ao centro histórico. Uma cidade que preserva sua cultura e tradições e que consegue preservar seu centro histórico.

Lugar mais visitado no centro histórico

Plaza das Armas é um dos cartões postais de Cusco

Bem diferente dos outros lugares que passamos, Cusco é dos turistas, e é muito fácil indentificá-los pelas ruas. Segundo informações de autoridades locais a cidade recebe aproximadamente 1 milhão de turistas por ano.

Cidade turística também tem seus percalços já que os preços variam muito de um lado para outro. Os hotéis, em sua grande maioria cobram em dólares, e é fácil encontrar onde cambiar moeda. Infelizmente nem todos os lugares aceitam “tarjetas”, cartões de crédito, então sempre é bom ter a mão os soles. Os restaurantes mais caros estão em volta da Plaza de Armas um dos pontos mais visitados da cidade.

muitas roupas, mantas e gorros pra vender

Uma dica ao comprar é pechinchar sempre

Muitas igrejas, museus e lugares pra ver. Mais fácil em Cusco é andar de taxi, que cobra, no geral, 2 soles, seja qual for o percurso.

Há muita coisa para se conhecer em Cusco, mas as pessoas vivem à mercê do tempo, que muda constantemente. Desde que estamos aqui choveu, fez sol e calor e de noite frio. É comum chuva de granizo e alguns itens são indispensáveis para passar o dia pelas ruas da cidade. Primeiro, muito filtro solar por todo o corpo e chapéu. Uma simples caminhada pode resultar em queimaduras fortes. Depois, andar sempre com roupas leves, capa de chuva e um casaco, porque o tempo muda constantemente.

Estamos há dois dias na cidade e nem conseguimos ver tudo ainda. No fim de semana o passeio será até Machu Picchu.

Mais fotos no link abaixo:

http://picasaweb.google.com.br/expedicaointeroceanica/070110Cusco?feat=directlink





06-01-2010 Frio, dor de cabeça e náusea na altitude. Mas as belezas da Cordilheira compensam

8 01 2010

Depois de uma noite ruim em Marcapata, piorada pelo frio e pela chuva, acordamos no dia 6 de janeiro, quarta-feira, com o sol brilhando cedo.Aos poucos, a péssima impressão da chegada na noite anterior foi se desfazendo. Na esquina ao lado da hospedaria da Pequeña, um enorme monte verde se erguia, e ao fundo, era possível enxergar mais ao longe os picos cobertos de neve. Visão fantástica pra quem nunca viu neve.

Vista da estrada

Essa é apenas umas da visões que se tem da Cordilheira

O café da manhã foi numa pequena lanchonete onde comemos pão com ovo e café com leite. Num bar colado a nossa hospedaria, que era atendido pelo seu simpático dono, os mais esfomeados atacaram depois do pão com ovo, um caldo quente de carneiro. Subimos, em 60 quilômetros de estrada, até mais de 4.700 metros de altitude.

Também atrasamos um pouco a saída por que um dos carros da expedição apresentou um problema na embreagem, na noite anterior, e chegou a Marcapata quase sem poder fazer as marchas do carro. O problema era simples, mas imprevísivel, causado pela pressão atmosférica. Sanado o transtorno, seguimos em frente para curtir o trajeto mais interessante da Rodovia Interoceânica, a subida da Cordilheira dos Andes.

Os primeiros quilômetros desse trecho da rodovia ainda estão em obras, por isso o aconselhável é sempre viajar nela durante o dia, até porque as paisagens são impagáveis, e a noite, a neblina deve ser constante no local. E foi assim, em meio a campos verdes, picos enormes, alpacas (lhamas) e mulheres pastoras que começamos a subida da cordilheira. Saímos dos cerca de 3.300 m de altitude de Marcapata e chegamos na parte mais alta do trajeto a 4.725 metros. Numa das paradas para fotos, um dos integrantes da caravana desceu até um córrego próximo para pegar água, estava quase congelando de tão gelada. Na volta para carro, os primeiros sinais do ar rarefeito. O coração acelera e em poucos passo qualquer um fica ofegante.

No geral a altitude não fez vítimas entre os expedicionários, embora o cineasta Peter Condenosi e a jornalista Carla Nascimento tenham sentindo uma certa fraqueza no meio da viagem. Interados sobre os efeitos regeneradores do chá de coca, comprada antes da partida em Puerto Maldonado, tomamos alguns goles de chá quente. Há controvérsias sobre seus efeitos, mas a maioria garantiu que sentiu melhor depois de tomá-lo.

Muito frio na parte mais alta da Cordiheira

A luz do sol contra a neve é fantástica

Falar da paisagem da Cordilheira dos Andes com uma simples descrição das belezas é muito pouco. Só vendo ao vivo para ter a noção a exata. No alto da cordilheira, apesar de algumas nuvens teimarem em fechar os picos, a neve apareceu clara e limpa ao longe. O Sol reflete de forma tão forte na neve que quase ofusca a visão. Nem é preciso falar dos cuidados extras que precisamos ter. Lá em cima o frio era de cortar, agravado pro um vento forte que congelava mãos, orelhas e nariz. Um dia antes andávamos suando em bicas pelo calor e menos de 24h depois usando casacos forrados para frio, botas fechadas, tocas, luvas. Etc. Com certeza nenhum dos expedicionários vai esquecer esse dia.

Terminada subida da cordilheira, ainda tínhamos pela frente mais uns 120 quilômetros até Cusco, que mesmo a 3.300 metros de altitude, fica mais abaixo do que estávamos naquele momento. Desde a saída de Marcapata tivemos uma mudança significativa na paisagem e nos nativos. Com mais frenquencia eram vistos as pastoras de alpacas e ovelhas, e as mantas coloridas onde as mulheres carregam seus filhos e outras coisas. Essa é a paisagem dos andes e também de Cusco.

Cena títpica da região

Com trajes típicos, mulheres cuidam das alpacas e ovelhas

A partir da cordilheira começamos a avistar planatações mesmo em terrenos pedregosos como os das montanhas, principalemente batata e milho, mas também encontramos plantações de coca. Na passagem por Urcos já próximo a Cusco, paramos numa das muitas cuyorrerias para apreciar um dos pratos típicos da região. O Cuy ao Horno. O cuy é um pequeno roedor muito apreciado pelos peruanos, tem diversas formas de preparo, mas o tradicional é recheados com ervas. O aspecto é de um grande rato, mas o sabor é interessante. O prato é caro para a quantidade de carne do cuy, custa em torno de 20 soles e vem acompanhado de batatas e outros legumes.

Comida é muito apreciada pelos peruanos

O cuy é um pequeno roedor e uma das atrações da culinária típica da região

Depois seguimos em direção a Cusco.

As fotos estão aqui.

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